Título: Mistério sobre pianista aumenta
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/05/2005, Internacional, p. A9

Etiquetas das roupas foram arrancadas, apagando qualquer indício de sua identidade. Já foram dadas 500 ligações com pistas

LONDRES - Permanece desconhecida a identidade do pianista encontrado sem memória em 7 de abril nas ruas de uma ilha de Sheppey, Sudeste da Inglaterra, apesar das 500 ligações com supostas pistas sobre quem ele é.

Novos dados aumentaram ainda mais o mistério sobre o ''homem do piano'' - como foi apelidado - que ainda não pronunciou nenhuma palavra. Na unidade psiquiátrica de Dartford, onde está sendo cuidado, comenta-se que quando foi encontrado, as etiquetas de suas roupas - um elegante terno preto, com gravata e camisa branca - tinham sido arrancadas. A marca dos sapatos também teria sido apagada.

Além disso, apesar de aparentemente ter estado no mar - já que foi encontrado ensopado de água salgada - não apresentava sinais de luta.

A equipe do centro psiquiátrico revelou ainda que, para tentar fazê-lo falar, tem impedido que tenha acesso ao piano, instrumento no qual executa peças clássicas e outras, provavelmente de sua autoria.

O assistente social Michael Camp cuidou do jovem no hospital marítimo de Medway, em Gillingham, para onde foi levado primeiro. Ele expressou suas reservas a esse medida.

- Quando toca, seu comportamento se transforma. Parece relaxado e se esquece das pessoas ao seu redor, completamente imerso na música e no piano - afirma.

Apesar da quantidade de telefonemas, Camp afirma que ainda não há pistas definitivas, já que as pessoas que ligam, muitas vezes, estão equivocadas.

Uma ligação levantou a hipótese que o pianista fosse do condado de Sussex, mas já está descartada.

- Quem ligou tinha ouvido uma descrição física pelo rádio. Quando viu a foto, percebeu que não era a mesma pessoa - afirmou Camp.

Em uma das ligações, alguém garante que o pianista se parece com um colega seu de colégio de Canterbury. Outro diz que pode ser um músico depressivo do Norte da Inglaterra, a quem conheceu nos anos 80.

Um leitor do jornal The Guardian evocou a semelhança física entre o pianista e um jovem músico chamado Martin Sturefalt, que viveria entre Londres e Estocolmo, na Suécia. Este indício parecia promissor porque o desconhecido apontou para o desenho de uma bandeira sueca quando lhe mostraram um atlas. No entanto, segundo o jornal, Sturefalt foi localizado em seu apartamento, na capital sueca, também intrigado com a ''história triste'' do músico amnésico.

Michael Camp admitiu que é possível que a identidade do pianista nunca seja conhecida.