Título: Bebês devem fazer teste do pezinho
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 19/10/2004, Saúde & Ciência, p. A-12

Exame detecta doenças congênitas

Bastante aguardado na hora do parto, o choro do bebê é um dos sinais de que está tudo bem com a saúde da criança. Mas só isso não basta, mesmo com uma aparência saudável, é importante que os recém-nascidos sejam submetidos a um exame essencial para o diagnóstico de doenças congênitas graves: o teste do pezinho. Com o teste é possível detectar doenças como a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito. As doenças, se não tratadas rapidamente, podem levar à deficiência mental do bebê. O exame é um direito de toda criança e deve ser feito 48 horas após o nascimento.

- Com a simples coleta de gotinhas de sangue retiradas do calcanhar do bebê é possível mudar o curso de doenças que causariam seqüelas irreparáveis na saúde física e mental deles - afirma Tania Marini de Carvalho, assessora técnica em Triagem Neonatal do Ministério da Saúde. - É importante que a população saiba que tem direito ao teste pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - acrescenta.

Há versões do teste do pezinho capazes de identificar mais de 30 doenças, mas a procupação normalmente é com a fenilcetonúria e o hipotireoidismo. As duas doenças são congênitas e podem provocar seqüelas graves.

A fenilcetonúria é considerada rara e atinge uma em cada 15 mil crianças brasileiras. Provoca alterações no metabolismo do bebê e se não for tratada a tempo, causa deficiência mental irreversível, convulsões, alterações na pele e no cheiro característico da urina. A criança portadora da doença precisa ter uma alimentação controlada durante toda a vida. Não poderá ingerir alimentos à base de proteínas, que contêm o aminoácido conhecido como fenilalanina.

- Com o diagnóstico precoce, é possível dar inicio a uma dieta especial e assim evitar o aparecimento de seqüelas - ressalta a assessora técnica do ministério. - O tratamento é tão eficiente que evita a deficiência mental e muda o curso da moléstia - completa.

A incidência do hipotireoidismo congênito no Brasil é maior. A doença atinge uma em cada 3.500 crianças e é provocada pela diminuição ou ausência de um hormônio produzido pela glândula tireóide. Sem o hormônio, impede-se o desenvolvimento de todo o organismo e a criança pode começar a apresentar sinais de deficiência mental já no primeiro mês de vida.