Título: A nova linhagem de células-tronco
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Fonte: Jornal do Brasil, 20/05/2005, Internacional / Ciências, p. A14
Unidades combinam com paciente
WASHINGTON - Uma equipe de cientistas sul-coreanos desenvolveu as primeiras linhagens de células-tronco para um paciente específico, criadas para combinar com o DNA de uma pessoa única. O estudo foi publicado na edição de hoje da revista científica americana Science.
Esse tipo de cirurgia, em que são utilizadas células-tronco embrionárias, ajudará a substituir células danificadas por doenças degenerativas e incuráveis, como o Mal de Parkinson e o diabetes, disseram os cientistas, da Universidade Nacional de Seul.
Segundo o citólogo-chefe, Woo Suk Hwang, 18 mulheres doaram 185 óvulos especificamente para fins de pesquisa. Para obter células somáticas, os pesquisadores recrutaram 11 doadores, de ambos os sexos, de entre 2 e 56 anos.
Uma célula somática é qualquer uma que faça parte do corpo, com a exceção dos espermatozóides e dos óvulos. Entre os doadores de células somáticas havia pessoas com diabetes juvenil, lesões de medula espinhal e com uma deficiência imunológica. Elas agora têm um estoque de células de reposição produzidas através de clonagem.
Segundo Hwang, as células obtidas são normais, de auto-renovação e pluripotentes, ou seja, com capacidade de se transformar em outro tipo de células com funções definidas, como as da retina, dos músculos e do sistema gastrointestinal.
As 11 novas linhas de células-tronco foram produzidas por meio da transferência de material genético de uma célula não reprodutiva de um paciente a um óvulo doado cujo núcleo fora extirpado. Com este método, chamado ''transferência somática do núcleo celular'', os óvulos com o material genético do paciente cresceram e se transformaram em blastócitos, etapa inicial do desenvolvimento embrionário. Da massa interna do blastócito derivaram as células-tronco.
- Este estudo demonstra que se pode fazer com que as células-tronco sejam específicas para cada paciente, não importa seu sexo e idade, e que estas células são cópias genéticas iguais às do doador - afirmou Gerald Schatten, professor de Reprodução da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh. - É um avanço.
A próxima etapa é a avaliação em laboratório das linhas de células-tronco embrionárias específicas de um paciente, para determinar sua tolerância imunológica, a eficácia terapêutica e a segurança. Além disso, são necessários métodos para dirigir eficazmente a diferenciação das células-tronco embrionárias.
Estes mesmos cientistas sul-coreanos fizeram história quando, em março do ano passado, anunciaram a clonagem de uma linha de células-tronco embrionárias.