Título: A pior chacina do estado
Autor: Duilo Victor
Fonte: Jornal do Brasil, 20/05/2005, Rio, p. A15

A pior chacina da história do estado deixou 29 mortos na noite do dia 31 de março na Baixada Fluminense. Um bando de homens armados atirou em pessoas que estavam no bairro da Posse, em Nova Iguaçu, e em Queimados. A primeira hipótese investigada pela Secretaria de Segurança Pública foi de que policiais mancomunados com os que foram punidos na véspera pela Operação Navalha na Carne - criada para investigar e identificar policiais envolvidos em crimes - tivessem cometido os assassinatos. Esses policiais são acusados de terem assassinado dois homens e jogado seus corpos nos fundos do 15º BPM (Duque de Caxias). Durante a primeira perícia, realizada nos locais dos assassinatos, foram encontradas cápsulas de fuzil, de pistolas .40, que pode ser vendida apenas para policiais, e .380, reforçando a tese de que PMs participaram da chacina.

Dias depois do crime, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota externando a indignação com a chacina da Baixada e determinando ao ministro Márcio Thomaz Bastos que oferecesse ajuda federal para as investigações. A Anistia Internacional também divulgou manifesto de repúdio contra a violência.

As investigações do crime foram feitas pelas polícias civis e federais. Em uma diligência da PF foi apreendido um Vectra branco, que estava com um policial militar e cuja descrição batia com as das testemunhas da chacina.

O Gol prata, citado em vários depoimentos, foi encontrado com um homem que disse tê-lo emprestado ao policial militar Carlos Jorge Carvalho, reconhecido por uma testemunha. Perícia realizada no Instituto de Criminalística Carlos Éboli encontrou três cápsulas no Gol prata e concluiu que partiram da mesma arma que matou uma das vítimas. Essa foi a primeira prova técnica contra Carlos Jorge. No Gol também foram encontrados sangue de duas vítimas.

No final de abril, foi prorrogado o prazo para o término do inquérito instaurado pela Polícia Civil sobre a chacina. No inquérito da PF nove PMs foram indiciados por homicídio doloso, co-autoria, tentativa de homicídio e formação de quadrilha.