Título: Oficial nega acusações
Autor: Duilo Victor
Fonte: Jornal do Brasil, 20/05/2005, Rio, p. A15

O inspetor-geral da polícia, coronel João Carlos Ferreira, afirmou ontem em audiência pública para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa que não procedem as acusações do deputado Paulo Ramos de que seria rival do coronel D'Ambrósio - ex-comandante da Polícia Militar na baixada Fluminense - no controle dos batalhões da região, o que teria motivado, de acordo com Ramos, a chacina ocorrida em Nova Iguaçu e Queimados, em que morreram 29 pessoas. - Precisamos ouvir o D'Ambrósio, assim como o presidente do inquérito, o delegado Rômulo Vieira, que é da Delegacia de Homicídios da Baixada, e o coronel Paulo César Lopes, comandante do 15º Batalhão (Duque de Caxias). O coronel João Carlos não disse nada além do que achei que ele diria - afirmou o presidente da comissão, deputado Geraldo Moreira, adiantando que pedirá a abertura de uma CPI para apurar a chacina - caso a investigação da Polícia Civil não chegue aos mandantes do crime.

Segundo Ramos, os coronéis D'Ambrósio e João Carlos tem pretensões em participar das próximas eleições, o que teria gerado essa suposta rixa. O inspetor-geral, no entanto, rebateu:

-Achei que me conhecessem o suficiente para saber que isso não faz o menor sentido.

Paulo Ramos não se convenceu com o depoimento de João Carlos.

- Concluo que ele (João Carlos) é um desinformado, não sabe se o D'Ambrósio é candidato, não sabe se o Marcelo Itagiba é candidato nem sabe se é candidato, quando todo mundo sabe disso tudo. Parece até que ele trabalha em outro lugar.

Ramos voltou a afirmar ontem que a nomeação de comandantes nos batalhões da Baixada tem motivações políticas. O deputado disse ainda que não é o coronel Hudson Aguiar (comandante-geral da Polícia Militar) que nomeia o comandante dos batalhões nem que o chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, que indica os titulares das delegacias especiais.

De acordo com o coronel João Carlos, que diz ser amigo pessoal de D'Ambrósio, não há como a nomeação de comandantes não ser atribuição do comandante-geral:

- Imagine se o secretário Itagiba e o coronel Hudson iam me dar esta intimidade, de me imiscuir nas suas responsabilidades?