Título: Dinheiro no bolso e menos esforço
Autor: Charles Penty
Fonte: Jornal do Brasil, 22/05/2005, Economia & Negócios, p. A19
''Em que outro lugar do mundo se obtém um retorno de 20% sem risco e sem esforço?'', pergunta o empresário Christiano Freire, presidente da Frefer SA, a distribuidora de aço com sede em São Paulo que está vendendo estoques a fim de levantar recursos para investir em bônus de taxa flutuante. A Frefer, que registrou no ano passado uma receita de R$ 200 milhões (US$ 81 milhões), vendeu 5 mil toneladas de seus estoques de aço desde fevereiro a fim de gerar recursos para investir em títulos do governo a taxas flutuantes, disse Freire. A empresa tem adquirido bônus remunerados por taxas de juros que variam de acordo com a taxa básica do Banco Central, disse Freire.
A distribuidora de produtos siderúrgicos Ferro e Aço Nossa Senhora de Fátima, com sede em São Paulo, adiou planos de comprar uma fábrica para abrigar duas desbobinadeiras, ou máquinas de cortar aço, a fim de receber juros sobre ativos de renda fixa, disse Rogério Ribeiro Vieira, o diretor de controle de qualidade da empresa. A Fátima vem adquirindo certificados de depósito, disse Vieira.
A taxa média do certificado de depósito de 60 dias oferecida pelos bancos brasileiros está na casa dos 20%.
Em vez de investir em expansão agora, ''é melhor esperar as taxas de juros baixarem e realizar o ganho financeiro'', diz Vieira. ''Não é o que se poderia chamar de um mau retorno''.
As empresas que estão aplicando recursos em ativos de renda fixa, no entanto, correm o risco de perder participação de mercado em favor das concorrentes que continuarem investindo na expansão de suas empresas, segundo Francisco Gros, principal executivo da Fertilizantes Fosfatados S/A e ex-presidente do BNDES.
- As pessoas tomam decisões de investimento com base num horizonte de 20 anos e não porque vislumbram uma oportunidade de curto prazo - analisa Gros.