Título: Rumo a Coréia do Sul
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 23/05/2005, País, p. A2
Folhapress
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje em Seul, capital da Coréia do Sul, acompanhado de cinco ministros de Estado. O petista chegou a convidar 12 ministros para estarem na comitiva, mas a crise política por causa da possível instalação da CPI dos Correios acabou impedindo a viagem da maioria dos que estavam convocados. Estarão com o presidente os ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dilma Roussef (Minas e Energia), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Celso Amorin (Relações Exteriores). Entre os faltosos mais importantes estão José Dirceu (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) e Eunício Oliveira (Comunicações).
Também estava prevista e acabou cancelada a presença do presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles. O ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) iria se encontrar com a comitiva.
O perfil dos ministros escolhidos para permanecerem no Brasil é nitidamente político: Dirceu, Paulo Bernardo, Eunício Oliveira e Eduardo Campos são deputados federais e mantêm constante relação com os congressistas da base aliada ao Planalto.
No Brasil, vão ajudar o presidente a tentar a contornar a ameaça de CPI. No Japão e na Coréia, deixarão insatisfeitas platéias de empresários. Cerca de 500 homens de negócios haviam se inscrito para ouvir as autoridades brasileiras que agora não estarão presentes.
Não é a primeira vez que um presidente do Brasil visita o Oriente com a cabeça na política brasileira. Em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso declarou em Tóquio que iria ''esclarecer o Congresso'' sobre a CPI dos Bancos. À época, o tucano manobrava para impedir a instalação de uma investigação sobre a ajuda oficial aos bancos em dificuldade. Apesar da desidratação da comitiva de Lula, o presidente conseguiu levar dois governadores de Estado: Germano Rigotto (PMDB-RS) e Lúcio Alcântara (PSDB-CE).