Título: Governistas mantêm assinaturas em CPI
Autor: Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2005, País, p. A2
Expectativa é de que mais senadores petistas endossem o pedido de investigação das denúncias de corrupção nos Correios
Contrariando as expectativas do governo, nenhum parlamentar retirou ontem assinatura do pedido de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar denúncias de corrupção nos Correios. E a situação pode se complicar. Alguns senadores petistas, como Eduardo Suplicy (SP) e Paulo Paim (RS) estão inquietos, indecisos se assinam ou não o pedido. Essa situação estará na pauta da reunião do Diretório Nacional do PT, que acontece neste final de semana, em São Paulo. A primeira sessão extraordinária no Senado, ontem, serviu para provar que o clima na Casa não está favorável ao governo. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) questionou a autoridade do governo para solicitar a retirada das assinaturas, já que o executivo não teria cumprido a promessa de investigar as denúncias apresentadas contra o ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz.
- Dizem que o governo vai tomar providências sobre o caso dos Correios, mas com que autoridade? Se na hora do Waldomiro tivessem apurado o que ocorreu, ótimo. Mas uma CPI existe quando há um fato que não está sendo investigado - disse.
Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), antecipou a indicação do partido para compor as CPIs que vão investigar o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, as privatizações ocorridas no governo passado e o caso da ECT. Segundo ele, o partido não está disposto a ''trocar favores'' e não abre mão de investigar nenhum dos casos citados.
Para Arthur Virgílio, a ameaça de instalação de CPI na Câmara, para investigar privatizações do setor elétrico ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso está sendo usada como ''chantagem'' da base governista para que não se coloque em ação a CPI dos Correios.
- É irreversível a CPI dos Correios. Podem instalar CPI para privatizações, podem convocar quaisquer pessoas daquele período. Acredito no ditado que diz: quem for podre que se quebre - afirmou.
O bate-boca em função da criação ou não da CPI dos Correios, rendeu ainda fortes críticas à falta de articulação política do governo Lula. Único representante do PT presente à sessão, o senador Cristovam Buarque (DF) preferiu se manifestar apenas em assuntos menos polêmicos, como a articulação de parlamentares para a permanência do procurador-geral da República, Claudio Fonteles no cargo.
O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), que lidera a oposição, disse que não tem dúvida de que a CPI dos Correios será levada adiante. Segundo ele, a sociedade não permitiria um retrocesso na ação do Congresso.
O requerimento de criação da CPI para investigar os Correios foi protocolado na quarta-feira passada e obteve a assinatura de 217 deputados e 49 senadores. Na próxima semana, o Congresso organiza uma sessão especial na qual será lido o requerimento e instalada formalmente a comissão parlamentar. Até lá, deputados e senadores podem retirar ou incluir suas assinaturas.