Título: Garotinho terá de se explicar à Justiça
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2005, País, p. A5
Associação de Magistrados interpelou judicialmente o ex-governador, que terá 48 horas para explicar acusações à juíza
CAMPOS DO JORDÃO e RIO - A Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) decidiu, ontem, interpelar judicialmente o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho. Ele vinha fazendo seguidas acusações à juíza Denise Apollinária, que o condenou na última semana a três anos de inelegibilidade, por crime eleitoral na disputa à Prefeitura de Campos no ano passado.
Garotinho terá 48 horas para explicar as acusações de que a juíza seria ''simpatizante'' do PT e teria tomada uma decisão ''mais política do que técnica''. Em nota, o secretário de Governo disse que vem sendo ''mal interpretado''.
Ainda à tarde, no primeiro Seminário de Prefeitos e Vice-Prefeitos do PMDB paulista, realizado em Campos do Jordão, São Paulo, acabou transformando o evento em palanque como pré-candidato do partido à Presidência da República.
Em discurso de cerca de uma hora, Garotinho anunciou novamente sua candidatura ao Palácio do Planalto, fez uma série de ataques ao governo federal e acusou o PT de formar uma aliança com a Rede Globo e os banqueiros com o objetivo de tirá-lo da disputa presidencial.
- Não tenho a menor dúvida de que os bancos, a Globo e o PT estão preocupadíssimos com a possibilidade de eu ser candidato. Porque, como diz aquele comercial, a Globo, os bancos e o PT têm tudo a ver - disse, fazendo trocadilho com a vinheta ''Globo e você, tudo a ver''.
A Central Globo de Comunicação divulgou uma nota sobre as acusações de Garotinho informando que é ''obrigação da TV Globo como de qualquer outro veículo de comunicação noticiar o que é de interesse público''.
O presidente nacional do PT, José Genoino, e a Federação Brasileira de Bancos não quiseram comentar as declarações.
Além de Garotinho, participaram do seminário o presidente do PMDB, deputado federal Michel Temer, o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e o presidente do PMDB em São Paulo, Orestes Quércia, que teve o nome lançado para a disputa do governo do Estado. Dos 154 prefeitos e vice-prefeitos convidados, apenas 28 compareceram.
Garotinho voltou a acusar o PT e o Palácio do Planalto, seus ''inimigos políticos'', de estarem por trás da decisão da Justiça Eleitoral do Rio além dele, que tornou a mulher - a governadora Rosinha Matheus (PMDB) - inelegíveis até 2007:
- Eu seria o único candidato em condições de vencer o Lula.
O ex-governador disse que ''não há nenhum risco'' de a sentença tirá-lo da disputa para a presidência.
- A sentença só tem validade quando transitada em julgado em última instância. Ela ainda está na primeira. Já recorri e tenho confiança que venceremos - disse.
Com Folhapress