Título: EUA torturaram preso afegão
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2005, Internacional, p. A9

Relatório incrimina soldados

WASHINGTON - A Casa Branca afirmou ter aberto investigação para apurar denúncias de que dois afegãos que estavam no presídio americano de Bagram foram torturados até a morte por soldados americanos durante interrogatórios em 2002. A informação foi divulgada pelo The New York Times numa detalhada investigação que cita um informe do Exército dos EUA.

- Há investigações penais sobre os fatos tratados pelo artigo. As pessoas serão julgadas. Os que cometeram atos degradantes na prisão de Abu Ghraib foram condenados e cumprem penas pelo que fizeram - afirmou Trent Duffy, porta-voz do departamento de Estado.

O jornal obteve uma cópia de documento confidencial de 2 mil páginas que detalha as circunstâncias em que morreram Dilawar, um camponês e motorista de táxi afegão, e Habibullah, em dezembro de 2002. Segundo a reportagem, Dilawar morreu depois de ter ficado quatro dias pendurado do teto de sua cela pelos pulsos.

''O documento de Bagram descreve soldados jovens, com má instrução, envolvidos em repetidos incidentes de abuso'', assinala o jornal. ''O tratamento brutal, que resultou em acusações contra sete deles, foi além dos dois casos de óbito''. Em alguns, os maus-tratos foram dirigidos ou cometidos pelos interrogadores para arrancar informação. Em outros, foram castigos dados pelos guardas da polícia militar, em um comportamento ''rotineiro''.

''Às vezes o tormento parece ter sido motivado por pouco mais que o aborrecimento, a crueldade ou ambos'', acrescenta o NYT, acrescentando que em declarações sob juramento, ''os soldados descreveram uma interrogadora que gostaria de humilhar, pisoteando o pescoço de um detido e os genitais de outro''.

Os testemunhos também mencionam prisioneiros algemados que foram obrigados a beijar as botas de dois interrogadores. Tanto em relação a Bagram como à prisão iraquiana de Abu Ghraib, o Pentágono manteve a posição geral que se tratou de abusos cometidos por soldados indisciplinados e sustenta que não houve política deliberada de torturas. Nenhum oficial de alta potente sofreu punições.