Título: Mulher, ainda discriminada
Autor: RAQUEL STIVELMAN
Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2005, Outras Opiniões, p. A11

Por mais que as mulheres tenham corrido atrás do prejuízo e terem conseguido recuperar um terreno bastante considerável em vários campos de trabalho e em demais setores, ainda mesmo em países desenvolvidos atualmente, como decorrência de concepções ancestrais, elas ainda são tidas como criaturas em situação de inferioridade. Ocupando os mesmos postos de homens e desempenhando tarefas com igual eficiência e produtividade, as mulheres recebem salários menores e, quando despontam com o seu brilho no desempenho das mais diversas profissões, são consideradas nobres e honrosas exceções. A sua função sacrossanta ainda é a maternidade, a gerência dos afazeres domésticos, a manutenção da sadia rotina familiar, enfim, estes papéis tão conhecidos nossos que hoje, bravamente, as mulheres conseguem com esforço coordenar com o seu desenvolvimento e realização pessoais, tanto no campo profissional como nas mais diversas áreas, inclusive naquelas consideradas essencial e tradicionalmente masculinas.

É óbvio que existem diferenças básicas e essenciais entre homens e mulheres. Tal asserção não justifica afirmar a superioridade nem de um nem de outro. São básica e essencialmente diferentes. E viva a diferença!

Inúmeros pesquisadores apontam muitas discrepâncias entre os homens e as mulheres tais como, por exemplo, em suas atitudes em relação à matemática e à ciência, na formação dos respectivos cérebros, na maneira segundo a qual metabolizam alguns medicamentos etc.

Foi constatado e reconhecido que as mulheres possuem um cérebro menor do que o dos homens, mesmo porque ela é toda menor em sua forma física. Aliás, no século passado, o cientista francês Gustav Le Bon atribuiu ao menor tamanho do cérebro feminino ''as instabilidades, as inconstâncias, a maior ausência do pensamento lógico e a pouca capacidade de raciocínio das mulheres''.

O que a ciência propala atualmente é que os cérebros femininos, ainda que menores, possuem um maior número de neurônios, fundamento da massa cinzenta considerada o arcabouço do pensamento cerebral enquanto que os cérebros masculinos possuem uma maior quantidade de massa branca que é o tecido que se situa entre os neurônios. O fator mais importante é a proporção diferenciada de massa branca e cinzenta que homens e mulheres empregam quando as utilizam na resolução de problemas. Enquanto os cientistas enfatizam a semelhança do funcionamento cerebral na execução de tarefas entre meninos e meninas entre 5 meses e 7 anos de idade, na adolescência, contudo, emergem algumas diferenças de aptidão, como por exemplo, a supremacia dos rapazes em resoluções matemáticas, o que tem ocorrido nas três últimas décadas, aproximadamente. No entanto, existem alguns professores como os de física e astronomia na Universidade de Yale, nos Estados Unidos que reconhecem a presença de uma clara evidência de fatores sócio culturais atravancando o desabrochar científico da mulher. Portanto, é evidente a existência da discriminação contra a mulher no campo da ciência. Recentemente, o presidente da Universidade de Harvard nos Estados Unidos, sugeriu, apenas sugeriu que a atual inferioridade feminina no progresso das descobertas científicas, principalmente na área da matemática se deve à diferença inata entre os sexos. As reações adversas que se seguiram foram tantas que ele foi obrigado a se retratar e pedir desculpas.

E como brava batalhadora que a mulher tem demonstrado ser através dos tempos, ela tem diante de si mais um desafio. Para quem já enfrentou tantos outros, um a mais é sempre instigante e motivador.

Vamos à luta!