Título: Servidor terá conta devassada
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/05/2005, Brasília, p. D3

CPI da Educação quebrará sigilos

A CPI da Educação autorizou ontem a quebra dos sigilos bancários de três servidores da Secretaria de Educação: Gibrail Gebrin, diretor de engenharia, Hélvia Paranaguá e Elizabeth Marinini, gestoras dos contratos de transporte escolar. Os três seriam ouvidos ontem pelos integrantes da comissão, mas apenas Hélvia compareceu. Os outros dois alegaram motivo de doença. Os distritais optaram por ouvir todos em um único dia para não vazar as informações, e remarcaram as oitivas para o dia 3 de junho. De acordo com o presidente da CPI, deputado Augusto Carvalho (PPS), os servidores serão os primeiros a ter sigilos quebrados por se recusarem, no Ministério Público, a autorizar as investigações em suas contas.

- São indícios de que pode haver alguma irregularidade - avaliou Augusto.

A única testemunha que prestou depoimento ontem foi o empresário Nelson Lawal, diretor da Juiz de Fora Serviços e Limpeza. Há suspeitas de que a empresa foi favorecida em uma outra licitação, realizada em 1999. Segundo o ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação (CPL), Achilles de Santana, Lawal teria sido apresentado pela então secretária Eurides Brito como ''futuro vencedor'' da concorrência. Ele é acusado de ter patrocinado combustível e o empréstimo de 14 veículos para a campanha de Eurides a deputada distrital em 2002. Respondendo a perguntas dos parlamentares, o empresário, no entanto, negou ter participado com dinheiro nas eleições. Confirmou apenas a realizações de reuniões em sua residência entre Eurides e aliados políticos.

A CPI teve acesso a um boletim de ocorrência da Polícia Civil no qual uma diretora regional de ensino da secretaria registrou o roubo de um veículo Fiat Mille de propriedade da Juiz de Fora que estava sob seu uso. Lawal não sobe explicar os motivos de um veículo de sua propriedade estar emprestado à funcionária pública.