Título: Carro-bomba ameaça diálogo
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Fonte: Jornal do Brasil, 26/05/2005, Internacional, p. A12
Explosão em Madri pelo ETA deixa 52 feridos e pode encerrar negociação com governo antes do começo
MADRI - A iniciativa para conversações que levem à paz na Espanha parece ter sido negada pelo grupo separatista ETA, com um carro-bomba que feriu pelo menos 52 pessoas em Madri ontem.
O artefato foi colocado em uma van roubada e explodiu em uma zona industrial no Nordeste de Madri. O ataque aconteceu 45 minutos depois de um jornal basco ter recebido um alerta em nome do ETA, informaram autoridades locais.
O aviso deu tempo à polícia para isolar a área, mas muitas pessoas foram feridas pelos estilhaços dos vidros devido à força da explosão. A bomba, que teria até 20 quilos de explosivos, deformou a van, danificou 10 carros e destruiu uma loja de automóveis.
Serviços de emergência atenderam 52 pessoas no local, das quais cinco foram levadas ao hospital.
- A organização terrorista ETA continua viva e ativa e a estamos combatendo com toda nossa determinação - afirmou o ministro do Interior, Jose Antonio Alonso.
A explosão pareceu ser uma resposta do ETA a uma votação no Parlamento espanhol na semana passada, concedendo permissão ao governo para abrir negociações de paz com o grupo se este interromper a violência.
O primeiro-ministro Jose Luis Rodriguez Zapatero, um dos arquitetos do acordo, condenou o ataque e o classificou como um ''ato de terror''.
- O único destino do grupo terrorista ETA é deixar suas armas e se dispersar - afirmou ele ao Senado.
Líderes do Partido Popular, de oposição, atacaram a política de Zapatero, dizendo que é um erro fazer concessões ao grupo armado.
- Temos que pedir a todos que removam a idéia de que o ETA é algo diferente. Ele é um grupo terrorista - disse o prefeito de Madrid e um dos líderes do PP, AlbertoRuiz-Gallardon.
Pio Garcia Escudero, porta-voz do partido no Senado, disse que o ataque ''não parece mostrar um desejo de negociação, mas uma tentativa de pressão''.
O ataque aconteceu dois dias depois que a polícia francesa prendeu três suspeitos de serem integrantes do ETA. Horas depois da bomba, dois líderes da Batasuna, braço político banido do grupo separatista, apareceriam em uma corte da capital espanhola para responder acusações de pertencerem ao ETA.
O ETA matou quase 850 pessoas desde 1968 em sua campanha por um estado independente basco no Norte da Espanha e no Sudoeste da França. A Espanha, os Estados Unidos e a União Européia consideram o grupo uma organização terrorista.
Um dono de um bar próximo à explosão disse a uma rádio estatal que a polícia o avisou para fechar as venezianas e tomar abrigo nos fundos do estabelecimento.
- Dez minutos depois, houve uma explosão muito forte. Ela quebrou minhas janelas e meu carro, que estava estacionado e deve ter sido destruído - contou.
Centenas de membros do ETA foram presos nos últimos anos na França e na Espanha. O grupo continuou realizando ataques a bomba, mas nenhum deles causou vítimas fatais desde 30 de maio de 2003.