Título: Juros sobem no cheque especial
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Fonte: Jornal do Brasil, 26/05/2005, Economia e Negócios, p. A19
Crédito com desconto em folha puxa aumento do volume de empréstimos no sistema financeiro
BRASÍLIA - O brasileiro que utilizou o cheque especial em abril pagou em média 1,5 ponto percentual de juros a mais, em termos anuais. Relatório divulgado ontem pelo Banco Central revela que a taxa da modalidade atingiu 147,6% ao ano, contra 146,1% em março.
No caso do crédito pessoal, a taxa média está em 75% ao ano, contra 74,4% no mês anterior. A taxa do crédito pessoal só não subiu mais devido ao desconto em folha de pagamento, o chamado crédito consignado, que está dentro dessa modalidade. Neste tipo, a taxa média em abril foi de 36,5% ao ano, uma queda de 1,6 ponto percentual.
A procura por empréstimos com desconto em folha de pagamento foi a principal responsável pelo aumento de 1,7% no volume das operações de crédito no sistema financeiro.
Segundo o Banco Central, o crédito consignado somava R$ 16,549 bilhões em abril, valor 6,7% maior do que o saldo de março. No ano, o crescimento é de 31,2%. No mês passado, os empréstimos com desconto em folha representavam 31,6% do total de crédito pessoal ofertado pelos bancos. Grande parte desses financiamentos, porém, ainda é concedida a funcionários públicos. De acordo com o BC, o saldo de recursos liberados para os servidores chega a R$ 14,22 bilhões.
Esse tipo de empréstimo já está mais barato que as operações de crédito para financiamento de veículos (37% ao ano em abril, alta de 0,3 ponto), tradicionalmente a mais baixa do mercado para pessoa física.
A taxa média geral cobrada da pessoa física atingiu 64,5% ao ano em abril, elevação de 0,5 ponto em relação ao mês anterior. Para pessoas jurídicas, a média avançou 0,4 ponto percentual, para 33,3% ao ano.
A média entre as operações de pessoas físicas e jurídicas ficou em 48,4% ao ano em abril, contra 47,8% em março.
O spread bancário - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - ficou em 29 pontos percentuais em abril, considerando empresas e pessoas físicas, num leve avanço em relação a março, quando atingiu 28,8 pontos. Para as pessoas jurídicas, o spread foi de 13,7 pontos, resultado igual ao de março, enquanto para pessoas físicas pulou de 45,3 pontos percentuais para 45,4 pontos, apesar da queda da inadimplência deste segmento.