Título: O balanço das assinaturas
Autor: Daniel Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 27/05/2005, Brasil, p. A3

Depois de trabalhar exaustivamente para retirar as assinaturas de parlamentares do pedido de CPI dos Correios, o governo perdeu mais uma batalha. Fez acordos com bancadas aliadas, mas ficou longe das 84 assinaturas que precisava retirar para evitar a CPI. A lista original tinha 254 assinaturas, na leitura feita ne manhã no Congresso. No placar final, só conseguiu retirar 27 nomes de deputados dos partidos ligados à base (PSB, PT, PTB, e PL), mesmo com liberações de emendas parlamentares. Num único dia, a terça-feira, R$ 12 milhões do Orçamento da União foram liberados. Esse montante estava retido como '' restos a pagar'', segundo um deputado da oposição.

O governo teve ainda de lidar com oito novas adesões ao requerimento de deputados do PFL (4), PSDB (2), e PDT (1), além do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

O grande trunfo do governo dizia ter não foi usado. A base aliada esperava a cooperação de outros 52 deputados, principalmente da bancada do PMDB, que havia confirmado 15 desistências. Para não ferir um acordo de cavalheiros, o líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP) morreu na praia com com os pedidos de retirada de nomes debaixo do braço.

- Fizemos um compromisso de só apresentar os nomes se confirmássemos que fariam a diferença (para derrubar a CPI) - afirmou Arlindo Chinaglia.

Mas em função do acordo para não expor ninguém, o governo acabou fracassando. O pior desempenho da articulação da base governista ficou na bancada do PT. Dos 19 deputados que aderiram o requerimento pela CPI, apenas cinco voltaram atrás: André Costa (RJ), Carlos Santana (RJ), Jorge Boeira (SC), Wasny Cury (DF), Luci Choinacki (SC). Outros petistas sinalizaram rever sua decisão, como Antônio carlos Biscaia (RJ).

No PL, onde sete haviam assinado, apenas o deputado Ricardo Rique retirou sua assinatura. O governo se deu melhor no PSB. Dos sete deputados que haviam assinado o requerimento, só Luiza Erundina permaneceu.