Título: BC indica novo aumento do juro
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 28/05/2005, Economia e Negócios, p. A17

Ata da reunião da semana passada diz que Copom tem que 'se manter vigilante' para evitar pressões inflacionárias

O Banco Central deu sinais ontem de que o aperto monetário iniciado em setembro ainda não acabou. Na ata da reunião realizada na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) admite que a alta da taxa básica de juros (Selic) começa a surtir efeito na inflação e na atividade econômica, mas informa que elevou o juro para 19,75% por considerar que ainda há riscos de a inflação de curto prazo se propagar por períodos mais longos. ''Cabe à política monetária, portanto, manter-se especialmente vigilante para evitar que pressões detectadas em horizontes mais curtos se propaguem para horizontes mais longos''.

O BC repetiu que acompanhará atentamente o cenário de inflação até a próxima reunião para então definir o juro, deixando em aberto os próximos passos da política monetária. Ressaltou ainda que tem de estar pronto para adequar às circunstâncias o ritmo e magnitude do processo de ajuste da taxa de juros, caso piorem os fatores de risco acompanhados pelo Copom.

Na reunião de maio, o Copom elevou pela nona vez consecutiva a taxa Selic por considerar que a ''manutenção do juro básico por um período suficientemente longo'' não asseguraria a convergência da inflação para a trajetória das metas.

''No cenário de manutenção do juro em 19,5% e taxa de câmbio a R$ 2,50, houve aumento da projeção da inflação para 2005, acima do obejtivo de 5,1% para o ano, e manutenção para 2006'', justifica a ata. Para o BC, essa deterioração se deve ''à supresa da inflação de abril'', que mais que compensou o efeito positivo da valorização do câmbio.

No mês passado, os índices de preços ao consumidor mostraram elevação, puxados pela aceleração dos preços livres e pela manutenção dos preços monitorados em patamar elevado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,87% em abril, acumulando variação de 2,68% no ano - mais da metade do objetivo de 5,1% para 2005 - e de 8,07% em 12 meses. Também os núcleos aumentaram, em todos os critérios. O BC verificou ainda aumento da perspectiva de inflação para o período de 12 meses encerrado em março de 2006.

Em relação à atividade econômica, o Copom avalia que a produção industrial, apesar de ter registrado estabilidade em março, permanece no nível elevado do final de 2004. ''A economia continua mostrando sinais de expansão, mas previsivelmente em ritmo mais intenso do que o registrado ao longo de 2004'', aponta trecho da ata.

O Copom também destaca a melhora no cenário externo e a menor defasagem do preço doméstico da gasolina em relação ao preço internacional, o que deve reforçar a estimativa para este ano de que não haverá aumentos da gasolina.

O BC aumentou levemente a estimativa de reajuste dos preços administrados neste ano, de 7,2% para 7,3%, por conta da previsão de aumento maior da telefonia fixa. A estimativa de reajuste passou de 7,9% para 8,6%, enquanto foi mantida a previsão de reajuste zero para gás e gasolina e de 10,8% para energia elétrica.