Título: Lula perde popularidade
Autor: Karla Correia
Fonte: Jornal do Brasil, 01/06/2005, País, p. A3

A agenda negativa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva continua a se refletir na popularidade do presidente, segundo os resultados da 76ª rodada da pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem. A avaliação positiva sobre o desempenho pessoal do presidente Lula, que iniciou seu mandato em 2003 com 83,6% de aprovação, caiu de 60,1% para 57,4% de abril para maio deste ano, enquanto a popularidade do seu governo foi de 41,9% para 39,8%, no mesmo período.

É o resultado da percepção popular sobre o delicado momento que o governo atravessa, marcado pelas denúncias sobre o esquema de corrupção nos Correios, a paralisia da agenda governamental e as dificuldades na articulação política. Embora pequena como fato isolado - apenas 2,7 pontos percentuais - e dentro da margem de erro da pesquisa, de 3%, a queda na popularidade de Lula é avaliada como um sinal de alerta para o Palácio do Planalto. Isso por conta da sucessão de resultados negativos na percepção popular sobre o presidente, cujo carisma pessoal é tido como o suporte para a avaliação do governo como um todo. Desde fevereiro deste ano, a aprovação dele já diminuiu 8,7 pontos.

- A própria imobilidade do governo em tocar sua agenda, as denúncias sobre corrupção nas estatais e a desarticulação entre o governo e sua base política no Congresso estão provocando esse desgaste na imagem do presidente Lula - analisa o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Clésio Andrade.

A influência das denúncias envolvendo os Correios transparece na repercussão do caso. Na pesquisa, 51,2% dos entrevistados têm acompanhado ou ouviram falar das denúncias. O episódio envolvendo o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz, primeiro escândalo a abalar o governo, foi ignorado por 52,8%, nos resultados da pesquisa divulgada em março de 2004. Waldomiro Diniz, na época assessor do Palácio do Planalto, aparecia em uma fita gravada em 2002 pedindo propina a um empresário O caso marcou o período entre março e junho do ano passado, que registraram os maiores índices de avaliação negativa sobre o governo Lula, batendo nos 24,1 pontos.

Para Clésio Andrade, o efeito do escândalo nos Correios na popularidade de Lula ainda não está consolidado. O brasileiro está atento ao assunto, e quer a apuração do caso, como demonstrado pelos 86% dos entrevistados que defendem a instalação de uma CPI para a investigação.

- O que transparece é um perfil mais racional dos entrevistados - acredita o presidente da CNT.

Segundo ele, a repercussão do caso deve se refletir nas próximas pesquisas, caso o governo não consiga administrar a situação. Ainda assim, a corrupção ganhou peso entre as preocupações dos entrevistados, passando a ser o assunto que mais envergonha o brasileiro merecendo o voto de 27,1% dos entrevistados em maio. A sondagem mostra ainda que 31,2% acreditam que a corrupção aumentou no governo Lula.

Os dados da pesquisa Sensus, contudo, devem ser analisados com cautela. Diferentemente de outros institutos, a Sensus apresenta as opções de resposta ao entrevistado numa lista vertical ordenada, o que pode induzi-lo a optar pelas primeiras respostas (por exemplo, a corrupção aumentou). Segundo Bruno Ramos, assessor de imprensa da Sensus, o instituto não constatou nenhuma diferença entre as pesquisas feitas desse modo e aquelas que utilizam cartões.