Título: Sarkozy consolida ambição presidencial
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/06/2005, Internacional, p. A7
A formação do novo Gabinete francês só será anunciada oficialmente hoje, pelo novo primeiro-ministro, Dominque de Villepin. Mas o grande vencedor já é conhecido. Apesar de não ter conseguido o posto de premier, Nicolas Sarkozy tem motivo para comemorar. Ele volta a ser o ''número 2'' do governo na pasta do Interior, cargo que ocupou entre 2002 e 2004, e se mantém na presidência da União por um Movimento Popular (UMP), exigência que havia sido rejeitada pelo presidente Jacques Chirac há seis meses e que provocara sua saída do ministério.
Em contraposição ao chefe de Estado, Sarkozy está fortalecido neste momento e alimenta ainda mais a ambição de concorrer à presidência em 2007, possivelmente disputando espaço no partido com Chirac - que aparenta estar muito fraco politicamente para concorrer a um terceiro mandato.
- Assumirei minhas responsabilidades e meu dever - declarou o líder perante deputados da UMP, que tem 363 dos 577 assentos da Assembléia Nacional (Câmara Baixa).
Outro medo do presidente, ao descartar a opção Sarkozy como primeiro-ministro, era de que o mesmo lhe dissesse, um ano antes das eleições presidenciais - como o próprio Chirac fez em 1976, quando era primeiro-ministro de Valéry Giscard d'Estaing - que deixava o cargo porque ''não tinha os meios para aplicar sua política'' para abrir os caminhos em direção ao Palácio Elysée, explica o jornal Le Monde.
A rivalidade é quente também entre Sarkozy e Villepin, que há um mês declarou que pretende concorrer à presidência em 2007. Mesmo não confirmando intenção de ir às urnas, o líder da UMP vem desde então provocando o agora premier. No dia 26, por exemplo, afirmou que os únicos que têm ''o direito de falar em nome da França'' são os que ''enfrentaram, pelo menos uma vez na vida, o sufrágio universal e conseguiram reconquistar sua confiança''.
''Será o duelo entre o baixo e o alto, o diplomata e o prefeito, o lírico e o midiático, o homem da escrita e o mestre da imagem'', resumiu em sua edição de ontem o jornal Le Figaro, ao destacar que tudo opõe os dois homens mais fortes do Gabinete francês.