Título: ''França não deve temer encanador polonês''
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 01/06/2005, Internacional, p. A7

Os franceses não precisam temer os encanadores poloneses, disse ontem Vladimir Spidla, o chefe da União Européia (UE) para questões sociais, tentando derrubar o mito que contribuiu para que a França rejeitasse a Constituição da UE nas urnas, no domingo.

O encanador polonês que trabalha na França por baixos salários e em péssimas condições foi o símbolo da campanha francesa contra a Carta da UE. Ele representava o temor de que os europeus do Leste tentem ocupar os postos de trabalho dos franceses.

Spidla, entretanto, afirmou que ''o temor não tem fundamento''. Com um argumento no mínimo simplista, ele disse que se todos os encanadores poloneses se mudassem para a França, eles ocupariam o espaço de metade dos encanadores franceses no mercado de trabalho, já que a Polônia tem a metade do tamanho da França.

- Se considerar que os trabalhadores também poderão ir para a Grã-Bretanha e para a Alemanha, percebemos que a pressão sobre o mercado de cada país é bastante limitada - justificou Spidla, ex-primeiro-ministro da República Tcheca.

A autoridade da UE também defendeu os novos membros do bloco, acusados de incentivar empresas para se mudar para o Leste Europeu, onde a proteção social seria menor. Segundo Spidla, os 10 recentes integrantes da UE estão investindo muito no serviço social:

- Não é verdade que estes países tenham padrões sociais mais baixos Os padrões deles correspondem à sua força econômica.

A França, no entanto, não consegue chegar a um consenso se a oferta de mão-de-obra hidráulica polonesa é prejudicial ao mercado de trabalho. Cifras da Câmara de Indústria e Comércio franco-polonesa apontam que desde a ampliação da UE para 25 membros, em 1º de maio do ano passado, ''o número de contratos de empresas polonesas aumentou pelo menos 50% na França, nos setores de construção e agricultura''. Por outro lado, o sindicato francês dos bombeiros hidráulicos destaca que 180 mil profissionais exercem a atividade no país atualmente, e ainda faltam 6 mil para atender à demanda do mercado.