Título: Rodoviários param o centro
Autor: Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 01/06/2005, Brasília, p. D1

Os rodoviários pararam o centro de Brasília, ontem, por cerca de uma hora. Por volta das 5h30m, uma carreata de 600 ônibus saiu do terminal da Asa Norte e da Torre de TV até a Rodoviária. Entre as 18h e as 19h, os rodoviários fecharam as saídas e entradas de ônibus no terminal. O trânsito ficou engarrafado em torno da Rodoviária durante o protesto. O acesso à plataforma inferior foi fechado pela Polícia Militar e só reaberto quando os rodoviários decidiram voltar ao trabalho. Segundo o Sindicato dos Rodoviários do DF (Sittrater), mais de 1,2 mil motoristas e cobradores participaram da manifestação. O presidente do Sittrater, João Osório da Silva, promete intensificar os protestos e as paralisações relâmpagos nos próximos dias.

- Vamos fazer outros atos com força ainda maior, porque nossa categoria está só aquecendo os motores. Só vamos recuar quando nossas reivindicações forem atendidas - avisa.

Os rodoviários reivindicam reajuste de 17,72% nos salários de R$ 424 de cobrador e R$ 811 de motorista além de aumento de 30% no valor do tíquete de alimentação (R$ 170) e da cesta básica (R$ 68). Os empresários cobram ao governo um reajuste de 41,81% no preço das tarifas para aumentar os salários dos rodoviários em 14%.

O secretário de Transportes, Mário Cateb, já adiantou que não há possibilidade de reajuste das passagens. Mas enviará a solicitação dos empresários ao Conselho de Transportes, que ainda não tem data marcada para se reunir. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do DF, Wagner Canhedo, não foi encontrado pelo JB, ontem.

É de graça - Para os passageiros que esperaram ônibus na rodoviária até o final do protesto, a passagem de ônibus saiu de graça. Os passageiros entraram pelas portas traseiras, a convite dos rodoviários.

Segundo o Sindicato dos Rodoviários, cerca de 150 mil passageiros circulam de ônibus no horário de pico. Com isso, calcula-se que o prejuízo para as empresas, com o protesto de ontem, deve ter chegado a R$ 300 mil, levando-se em consideração a tarifa média de R$ 2.

O auxiliar de atividades culturais, João da Paz, 53 anos, esperou 30 minutos para pegar o ônibus de volta para casa. Mas aprovou a passagem gratuita.

- Compensa o tempo perdido. E acho que os rodoviários tem que lutar pelos seus direitos - argumenta João.

A promotora de vendas Kayussula Cabral, 22 anos, discorda.

- Preferia pagar R$ 2,50 e não passar por esse aborrecimento - afirma.