Título: Queda no consumo preocupa Lula
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/06/2005, Economia e Negócios, p. A19
Ministro do Planejamento reconhece efeito dos juros altos na desaceleração da economia
Em reunião com ministros da equipe econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com a queda no consumo das famílias, de acordo com os números divulgados pelo IBGE.
Os ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento) levaram ao presidente, logo pela manhã, no Palácio do Planalto, dados divulgados pelo instituto, que também mostravam o crescimento da economia de 0,3%.
- O presidente manifestou preocupação com uma coisa que estava lá, que eu não sei explicar isso também, a queda no consumo das famílias. Esse é um dado relevante que precisa ser examinado - disse Paulo Bernardo.
Lula pediu a Palocci e a Bernardo mais explicações sobre o dado. Insatisfeito com a expansão do PIB, foi convencido pela equipe econômica de que o crescimento previsto para o ano não será prejudicado, segundo Bernardo. O ministro disse ter pedido ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que detalhassem o resultado.
- A impressão que nós tivemos é a de que há uma acomodação, depois de um crescimento expressivo.
Bernardo citou alguns dados positivos, como o crescimento das exportações no primeiro trimestre (3,5%), para tentar minimizar o desempenho do PIB no período. Ele disse que está mantida a previsão do Planejamento de crescimento de 4% do PIB para este ano.
Ao ser indagado se o crescimento de 0,3% nos primeiros três meses de 2005 pode influenciar a definição da nova taxa de juros, na próxima reunião do Copom, daqui a duas semanas, o ministro afirmou:
- Não sei se o Copom vai entender isso como um alerta. O que está acontecendo é coerente com o que busca o Copom, para desaquecer a demanda e buscar o controle da inflação. Juros altos pressionam nossas contas. Todos sabem - disse, ao referir-se ao fato de que mais da metade da dívida do setor público é corrigida pela Selic, hoje em 19,75% ao ano.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse que a queda na taxa de investimentos já era esperada após o desempenho do ano passado e é também conseqüência da retração do setor de máquinas agrícolas, que ocorreu devido à queda da safra. Além disso, segundo Appy, a massa de renda da população teve um aumento de 6%, o que indica que a queda do nível de consumo das famílias é temporária. Ele acredita que nos dois casos haverá uma retomada nos próximos trimestres.
De acordo com Appy, o govero já tomou medidas para estimular a atividade imobiliária. Para o secretário, em breve as medidas surtirão efeito.
Appy defendeu tanto a política monetária do BC, que irá ''garantir estabilidade de preço no longo prazo'', como a condução da política fiscal. Segundo ele, o controle de gastos feito pelo governo é ''poderoso'' para o crescimento econômico.