Título: Governo reage a críticas de Fernando Henrique
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/06/2005, País, p. A4

BRASÍLIA - Ontem foi mais um dia de trocas de farpas entre petistas e tucanos. Sem citar o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, na terça-feira, disse que o atual governo fazia uma ''política pra inglês ver'', referindo-se às negociações internacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não demorou a rebater:

- Tem gente que às vezes acorda tão azeda, que daria para fazer uma limonada com o suor. Quando se acorda azedo, não se deveria nem sair de casa porque quem paga é quem não tem nada com isso, como a secretária - disse o presidente no discurso de abertura do Salão do Turismo, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Na noite de terça-feira, FH criticou a política internacional de Lula dizendo que o empenho do presidente com os países pobres era apenas ''para inglês ver''. Segundo ele, o Brasil tem como único objetivo na esfera internacional conquistar assento no Conselho de Segurança da ONU. Em palestra numa universidade particular de São Paulo, FH foi enfático:

- O objetivo do governo atual é uma luta por uma cadeira no Conselho de Segurança. Esta é que é a linha fundamental desse governo - disse o ex-presidente, que disparou ataques ainda à relação do Brasil com o mercado externo.

Ontem, durante um café da manhã com a bancada do Nordeste na Câmara, em Brasília, o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, saiu dem defesa de Lula e fez um duro ataque a FH a quem acusou de não ter ''a mais remota preocupação ética'', e afirmou que parte do Congresso quer se transformar em ''delegacia de polícia '' ao criar a CPI.

- Quem acredita que o senhor FH, tendo governado o Brasil como governou, tem a mais remota preocupação ética? - indagou Ciro ao criticar o que ele classificou como uma tentativa da oposição de dizer à sociedade que o atual é um governo igual aos outros.

- Não é. É diferente. Os que estão chafurdando na lama querem dizer que o PT é igual a eles. Esse é um governo nacional contra um entreguista, um governo ético contra um governo contemporizador com a ladroagem - completou.

Como argumento para suas críticas, Ciro listou quatro casos em que recursos públicos teriam sido malversados.

- Só vou falar de bilhões - provocou, enumerando depois a extinção da Sudam e Sudene, o socorro aos bancos Marka e FonteCindam, o caso da compra de votos no Congresso para a aprovação da emenda da reeleição e a privatização do sistema Telebras, todos os casos ocorridos durante a gestão tucana.

Líderes tucanos reagiram de imediato:

- Só posso dizer que, para proteger o governo, o ministro se tornou sócio da bandalheira. E, como é de sua tradição, usa de ofensas e difamações sem nenhum limite ético - respondeu o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).

Os ataques de Ciro aos tucanos se dão devido à crise política que resultou na criação da CPI dos Correios. Sobre a comissão, o ministro disse que estão tentando manipular o sentimento popular e que há duas coisas a ponderar.

- A população está de saco cheio de notícia infame de ladroeira ser premiada com impunidade. Além disso, o país espera que o governo governe e o Parlamento vote. Como as coisas não estão assim, o Executivo legisla, e o Legislativo quer virar delegacia de polícia. Essa é uma velha opinião. Quando setores do PT queriam CPI e politizar tudo quanto era escândalo no governo FH, fui contra.