Título: A boa maré do turismo no Brasil
Autor: Guilherme Paulus
Fonte: Jornal do Brasil, 03/06/2005, Economia e Negócios, p. A20
Há tempos o turismo não vivia um momento tão favorável no país. O mercado está em plena expansão e vem ganhando a importância que merecia como gerador de empregos, divisas e renda. O Brasil é hoje um dos principais roteiros turísticos do mundo, já figurando entre os 30 maiores destinos no ranking da Organização Mundial de Turismo (OMT). Um em cada dez brasileiros já trabalha direta ou indiretamente na área, que movimenta 52 setores econômicos, embora ainda represente apenas 4% do PIB nacional. As viagens eram, até pouco tempo, um bem de consumo para poucos. Graças a uma série de programas governamentais realizados em âmbito nacional e regional, este cenário começa a mudar.
No ano passado o país recebeu 4,7 milhões de turistas estrangeiros, um crescimento de 15,49% em relação a 2003, quando totalizamos 4,09 milhões de visitantes. O turismo internacional gerou divisas da ordem de US$ 3,9 bilhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).
Os números globais atestam o otimismo do setor, que cresceu 10% em 2004, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), enquanto o Brasil, registrando um período histórico de expansão, teve desempenho 50% maior. Aumentaremos ainda mais o fluxo se contarmos com uma política que não dificulte demais a entrada de estrangeiros, facilitando a concessão de vistos. Proponho apenas uma reflexão no sentido de combater esta rigidez.
Da mesma forma, as perspectivas no turismo interno merecem ser comemoradas. Mais de 50 milhões de brasileiros viajaram pelo Brasil no ano passado. Cada vez mais o mercado percebe a necessidade de oferecer pacotes de viagem que caibam no bolso do consumidor, facilitando o pagamento em várias parcelas sem juros. A guerra das tarifas aéreas também veio beneficiar os consumidores com a queda dos preços refletida nos pacotes de viagem. Hoje, o turista pode adquirir sua viagem dentro da mesma política comercial praticada, por exemplo, pelas operadoras de celulares, que já conquistaram mais de 60 milhões de brasileiros, demonstrando que, quando se oferece as condições adequadas ao consumidor, os resultados de vendas são positivos.
Por acreditar no grande potencial do mercado ainda a ser explorado, não tenho dúvidas de que toda indústria do turismo continuará não medindo esforços para aumentar o número de turistas domésticos. Os 7 mil agentes de viagem são os grandes distribuidores do turismo nacional e precisam contar com o apoio necessário para seguir movimentando a economia. É louvável o esforço do governo Lula em implementar o Plano Nacional de Turismo do Brasil 2004/2007 para fomentar a atividade turística. O plano permitirá que o setor seja responsável pela geração de 1,2 milhão de novos empregos e para aumentar em 9 milhões o número de turistas estrangeiros, que vão gerar 8 bilhões de dólares em divisas. Em relação ao turismo nacional, a meta é ampliar para 65 milhões o total de turistas domésticos.
Entre as medidas previstas está o lançamento de roteiros regionais integrados em conjunto com os órgãos governamentais e a iniciativa privada. Para isso, será fundamental que a indústria do turismo tenha acesso a novas linhas de financiamento para garantir o fôlego necessário para o lançamento de novos produtos e ampliar a oferta. Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas é fato que tanto a iniciativa privada como o governo estão agora dando a atenção que o setor sempre mereceu. Portanto, caro leitor, esta é a hora de aproveitar a maré e conduzir bons negócios. Ou vai perder a viagem?