Título: Corrupção cai na América Latina
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 21/10/2004, Internacional, p. A-8
Relatório manteve Brasil em 59° lugar
A América Latina é a segunda região mais corrupta do mundo, só superada pela África. A boa notícia é que, este ano, a situação melhorou mais do que piorou no continente.
De acordo com o relatório da Transparência Internacional, sobre o nível de corrupção dos países, divulgado ontem, a pontuação da América Latina foi de 3,4, só pior que a da África, com 2,8 pontos de média.
Os pontos equivalem a uma nota que vai de 10, transparência total, a zero.
Nos 19 países analisados na América Latina e no Caribe, sete melhoraram em relação ao ano passado, e seis pioraram. Outros seis se mantiveram estáveis no ranking.
O Haiti e o Paraguai ficaram com as piores notas da região (1,5 e 1,9). O Haiti é o último colocado no ranking mundial. O Brasil ficou com 3,9 e se manteve estável em relação a 2003, em 59° lugar.
O país considerado mais transparente entre os latino-americanos foi o Chile, com uma pontuação de 7,4, semelhante a de nações como Estados Unidos e Irlanda. O Uruguai foi o que mais avançou, passando de 5,5, em 2003, para 6,2 este ano.
Segundo o ranking, a corrupção é endêmica em 60 países. Só três da América Latina ficaram com média acima de 4. Abaixo, onde está o Brasil, a situação é considerada ruim.
Na apresentação das conclusões, o presidente da Transparência Internacional, Peter Eigen, destacou o fato de que entre os países mais corruptos estejam os produtores de petróleo, e citou o Equador e a Venezuela.
Peter Eigen comentou à necessidade de se fazer frente à corrupção no funcionalismo público e disse que nos momentos em que ''as despesas dos governos com funcionários se aproximam dos US$ 4 trilhões anuais no mundo, o dinheiro que se perde em subornos é pelo menos de US$ 400 bilhões''.
Entre os mais transparentes, a Finlândia ocupa o primeiro lugar na lista geral, seguida pela Nova Zelândia. O Canadá, o mais transparente das Américas, está na décima-segunda colocação com uma pontuação de 8,5.
Seguem os Estados Unidos, décimo-sétimo lugar com 7,5 pontos, o Chile - vigésima posição da lista geral (7,4 pontos), na frente de Barbados e do Uruguai - o quinto das Américas - que, com 6,2 pontos, ocupa o 28º posto na classificação global.
O desempenho brasileiro ficou acima da média da América Latina, de 3,5 pontos.
A Costa Rica obteve 4,9%, que lhe situa na 41ª posição da lista geral, dois postos na frente de El Salvador, que compartilha o 51º lugar com Trinidad e Tobago (4,2 pontos).
A Argentina ficou com 2,5 pontos, e a vigésima posição entre os países americanos, a 108ª da lista geral. Na frente do Equador que, com 2,4 pontos, está na 21ª posição das Américas e 112ª no geral.
Honduras e Venezuela tiveram a mesma pontuação - 2,3 pontos - e ocupam portanto o 24º posto na primeira lista e o 114º na geral.
Ao publicar o relatório, o presidente de Transparência Internacional destacou os esforços dos governos de alguns países latino-americanos para combater a corrupção, citando o México e a Colômbia.
Peter Eigen disse, além disso, que a luta contra a corrupção é um desafio tanto para os líderes políticos como para uma sociedade civil bem organizada. Ele reconheceu que tão importante quanto acabar com os corruptos é combater as empresas que subornam para conseguir contratos em setores como o de obras públicas, construção civil e indústria de armamentos.
A Transparência Internacional publica também a cada dois anos um índice dos países onde a incidência de suborno é maior. No último publicado, o de 2002, ficaram nos primeiros lugares: Austrália, Suécia, Suíça, Áustria, Canadá e Holanda.