Título: Mato Grosso suspende corte de madeira
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 04/06/2005, País, p. A4

O governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi, citado por grupos ambientalistas como principal incentivador do desmatamento da Floresta Amazônica, congelou as aprovações de licenças para o corte de madeira e demitiu seu secretário do Meio Ambiente na esteira da investigação sobre o desmatamento ilegal.

Maggi, cuja empresa, o Grupo Maggi, é a maior produtora mundial de soja, disse que proporia uma moratória de três anos no desenvolvimento agrícola no estado.

O apelo do governador segue-se à prisão de 84 pessoas acusadas de exploração ilegal de madeira, entre as quais Moacir Pires, secretário do Meio Ambiente do Mato Grosso. Quase metade dos 26.130 quilômetros quadrados de floresta derrubados na Amazônia nos entre agosto de 2003 e de 2004 situam-se no Mato Grosso, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

- Não é coincidência que os poderes político e econômico de Maggi estejam sendo utilizados para aumentar o desmatamento. A atitude dele favorece o desmatamento, a exploração de madeira e as atividades imobiliárias ilegais - explica Claudio Maretti, chefe do programa de áreas protegidas do World Wildlife Fund.

Maggi alegou que sua empresa não realiza novos desmatamentos há mais de 10 anos e que opera legalmente. Disse estar ''surpreso'' com a prisão do mais alto funcionário da Secretaria do Meio Ambiente e quer alterar as políticas de corte de madeira por um consenso entre agricultores e ambientalistas:

- Temos de decidir quais limites queremos adotar para o desenvolvimento da Amazônia. Por pelo menos três anos não emitiremos autorização e realizaremos ampla discussão com a sociedade para determinar exatamente o que queremos - propôs.

A porção brasileira da Floresta Amazônica encolheu 14% nas últimas três décadas, especialmente devido ao desmatamento ilegal, segundo o Ministério do Meio Ambiente. A floresta tropical também encolheu pelo aumento da produção de soja, o produto de exportação que mais cresceu no Brasil nos últimos três anos.

O Greenpeace está entre os grupos ambientalistas que lutam contra um projeto apoiado por Maggi para asfaltar o trecho norte da estrada que cruza a floresta e liga a região produtora de soja do Mato Grosso ao porto de Santarém, no rio Amazonas. No mês passado, o Greenpeace indicou Maggi para seu ''prêmio motosserra de ouro'' ao lado de outros funcionários do governo brasileiro.

- Fico pensando se essa proposta sobre a moratória não é apenas um modo de fugir da responsabilidade que ele tem em toda essa história. Maggi é visto no Brasil e no exterior como o real culpado por trás da crise de desmatamento do Mato Grosso. - disse Paulo Adário, que administra a Campanha da Amazônia do Greenpeace