Título: Setor de Inflamáveis, uma bomba armada
Autor: Lorenna Rodrigues
Fonte: Jornal do Brasil, 05/06/2005, Brasília, p. D3

São 50 milhões de litros de gasolina, diesel e gás no local Uma bomba armada abandonada à própria sorte. Espremido entre o Setor de Indústria e Abastecimento e o Setor de Transporte de Cargas, o Setor de Inflamáveis amarga a falta de estrutura e risco de acidentes. Segundo estudo da Defesa Civil, em caso de acidente nos horários de pico, quando a via única de acesso ao Setor de Inflamáveis fica congestionada, os bombeiros não teriam como chegar ao local em tempo hábil. - Nós aqui estamos em risco constante. No caso de um acidente, os danos seriam enormes. Não temos uma rota de fuga e só uma via de acesso que congestiona facilmente. Não existem incêndios pequenos quando se trata de inflamáveis, é sempre uma tragédia - aponta o representante da Associação das Empresas do Setor de Transporte de Cargas e Inflamáveis (Aesit), Ricardo Menezes.

Todo o abastecimento de combustível do DF é feito através do Setor de Inflamáveis. Cerca de 50 milhões de litros de gasolina, óleo diesel e gás são armazenados no local. Cada distribuidora se protege como pode. Brigadas de incêndio, equipamentos de segurança e combate a incêndio e bombas especiais são instaladas nos reservatórios. Além disso, o setor possui um plano de emergência conjunto e os funcionários são treinados para agir em caso de incêndio. Na época da seca, a limpeza do mato é intensificada para evitar a queima espontânea. Neste ano, a limpeza ainda não começou e o matagal toma conta do setor.

- Nós investimos em segurança porque precisamos nos proteger. Só na minha distribuidora, mais de R$ 600 mil foram gastos com equipamento de combate à incêndio - afirma Menezes.

Outra ameaça ao Setor de Inflamáveis são as invasões próximas ao local.

- É comum ver carroceiros passando em cima dos dutos de distribuição, o que é extremamente perigoso - diz.

Os empresários do setor pleiteiam a construção de novos acessos viários, a construção de rotas de fuga, e o policiamento ostensivo no local, além da construção de áreas de estacionamento.

- Os caminhões ficam amontoados nas vias públicas, representando mais um risco de acidente. Uma colisão em um veículo desses poderia espalhar combustível e provocar um incêndio em efeito cascata - aponta Menezes.

Até hoje, nenhum acidente de grande proporção foi registrado no Setor. O último foi em 2000, quando um princípio de incêndio foi detectado em um dos tanques. Um funcionário teve queimaduras de terceiro grau.

Há cerca de 15 dias, o governo encaminhou à Câmara dos Deputados um projeto de lei transformando o SIA - que engloba o Setor de Inflamáveis - em região administrativa. O subadministrador do SIA, Marcos Lima, apoia o projeto.

- O nosso cobertor é sempre pequeno para cobrir todas as despesas. A criação de uma nova RA daria prioridade aos setores produtivos - acredita.

Segundo Lima, a subadministração e a Secretaria de Obras estudam um projeto de duplicação e construção de um viaduto na via de acesso ao Setor de Inflamáveis. Além disso, recursos para a construção de uma via ligando o Setor de Transportes de Cargas à EPTG estão previstos no orçamento deste ano.

- Essa via vai ajudar a desafogar o trânsito no local, já que os caminhões não terão que passar nem pelo SI nem pelo SIA para chegar à EPTG - explica.

Além disso, Lima afirma que já encaminhou à Secretaria de Segurança Público um pedido de construção de um Batalhão de Polícia Militar no SIA, que faria o policiamento também no Setor de Inflamáveis.

Bombeiros -O Corpo de Bombeiros possui uma estrutura especial para atender um possível caso de incêndio no SI.

- O 3º Batalhão de Incêndio é localizado estrategicamente no SIA para cobrir a área do SI. São 146 bombeiros com treinamento em combate a fogo causado por inflamáveis, além de equipamentos especiais como hidrantes de alta vasão e pressão e espumas especiais - explica o Capitão Eduardo Mesquita, assessor do Corpo de Bombeiros.