Título: PP, PL e Palocci: encontros negados
Autor: Daniel Pereira e Renata Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 07/06/2005, País, p. A4
As novas acusações do presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson, provocaram uma avalanche de notas oficiais ontem em Brasília. PP e PL, partidos apontados por Jefferson como beneficiários do mensalão, divulgaram notas para se eximirem de qualquer participação nas denúncias. Em nota assinada pelo presidente do partido, Pedro Corrêa, o PP nega a participação de qualquer integrante no suposto esquema de mesadas do governo federal. ''O relacionamento do Partido Progressista com o governo é pautado, exclusivamente, pela defesa dos projetos de interesse do país e pela garantia da governabilidade'', diz o documento. A nota atribui as denúncias de Jefferson a uma tentativa de retaliação em função das acusações de seus indicados no suposto esquema de corrupção nos Correios.
O PL disse em comunicado oficial que a acusação de Jefferson ''não passa de uma desesperada invenção, desprovida de provas ou evidências''. Diz ainda que as acusações têm como objetivo confundir a opinião pública e chantagear o governo. O PL informa que vai cobrar na Justiça explicações sobre as declarações do presidente do PTB.
Também em nota à imprensa, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou que nunca foi abordado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson. ''A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda informa que o ministro Antônio Palocci nunca foi abordado pelo deputado Roberto Jefferson sobre procedimentos inadequados junto à base parlamentar, relatados em sua entrevista desta segunda-feira ao jornal Folha de S. Paulo.''
Citado por Roberto Jefferson como um dos parlamentares envolvidos no esquema de mesadas do Governo, o deputado Pedro Henry, do PP, se defendeu alegando nunca ter tratado do assunto com nenhum parlamentar.
Em nota, Henry atribui as denúncias do presidente do PTB como uma ''atitude absolutamente imprópria ao parlamento, que envolve seu nome num denuncismo desesperado, que não tem outro objetivo se não o de desfocar o centro das discussões sobre corrupção envolvendo indicados dele mesmo, que ocupam cargos no governo federal''.
Após divulgar a nota, Henry falou com a imprensa. Afirmou que não conhecia pessoalmente o deputado Íris Simões (PTB-PR) - a quem, segundo Jefferson, Henry teria tentado cooptar para o esquema - e voltou a dizer que nunca havia negociado com o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
- Comigo nunca aconteceu e não tenho conhecimento de que práticas como estas tenham ocorrido no Congresso - disse ao afirmar que hoje deve pedir a Corregedoria da Casa apuração das acusações.
O ministro José Dirceu, que está em Madri para tratar de investimentos em infra-estrutura, ao ser questionado sobre as denúncias, disse: ''Eu não vi nada''.
O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guias, contou que ouviu relato sobre ''boatos de mesadas'' do presidente do seu partido, Roberto Jefferson, por duas vezes. A primeira foi no início de 2004. A segunda foi este ano, na reunião que tiveram com Lula.
- Ele (Jefferson) falou no final da reunião, disse que tinha boatos sobre um mensalão, mas ficou nisso.