Título: Demissões no IRB e nos Correios
Autor: Daneil Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 08/06/2005, País, p. A2

BRASÍLIA - A crise iniciada com a divulgação das fitas revelando um esquema de corrupção nos Correios derrubou o presidente e a diretoria da estatal, que pediu demissão ontem. A decisão foi tomada após reunião à tarde entre o presidente Lula e os ministros Eunício Oliveira (Comunicações) e Antônio Palocci (Fazenda). Segundo a assessoria de Eunício, Lula pediu aos ministros uma solução definitiva para os problemas nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). A solução apresentada pelo ministro das Comunicações foi a demissão coletiva de todo o comando dos Correios. Quem mais perde com a mudança é o PMDB que, em abril de 2004, havia emplacado cargos na estatal em troca de apoio ao governo para evitar uma CPI no caso Waldomiro Diniz. Das seis demissões de hoje, quatro eram de cargos indicados pelo PMDB, incluindo o presidente da estatal, João Henrique de Almeida Sousa.

Além do presidente, pediram demissão três diretores indicados pelo PMDB: Ricardo Henrique Suner Caddah (Econômico-Financeiro), indicado pelo líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), Carlos Eduardo Fioravanti da Costa (Comercial), indicado pelo senador Hélio Costa (PMDB-MG), e Robinson Koury Viana da Silva (Recursos Humanos), indicado pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB). Dois diretores ligados ao PT também se demitiram: Maurício Coelho Madureira (Operações) e Eduardo Medeiros de Morais (Tecnologia).

No IRB, toda a cúpula da instituição foi demitida. O Ministério da Fazenda, em nota, divulgou que ''aceitou'' o pedido de afastamento do presidente do instituto, Luiz Appolonio Neto, e dos integrantes da diretoria, seguindo orientação de Lula. Para o lugar de Appolonio - sobrinho de deputado Delfim Netto (PP-SP) -, o ministro Antonio Palocci indicou o ex-secretário de Política Econômica Marcos Lisboa e determinou que ele comande o processo de privatização do instituto. Em abril, Lisboa deixou o cargo no Ministério da Fazenda por motivos pessoais, segundo a versão oficial.

As denúncias de irregularidades no IRB ganharam fôlego semana passada, quando a revista Veja noticiou que o deputado Roberto Jefferson, exigia mesada de R$ 400 mil por mês do ex-presidente do instituto Lídio Duarte, indicado pelo partido para ocupar a posição.

Há dois meses, Duarte pediu demissão do cargo por não agüentar a pressão. Appolonio foi escalado por Palocci para preencher a vaga, atendendo a indicação de Delfim Netto.

- A aceitação do afastamento da diretoria do IRB não implica qualquer prejulgamento em relação às denúncias veiculadas na imprensa - afirma a nota da assessoria de Palocci. Segundo o comunicado, isso permitirá uma ''apuração rápida, isenta e de maior transparência junto à opinião pública''.