Título: Emprego resiste à retração econômica
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 07/06/2005, Economia & Negócios, p. A23
Boletim da CNI aponta recuo de 5,02% nas vendas reais da indústria e crescimento de 1,01% em número de empregos.
Desaceleração da economia, por conta da valorização do dólar e alta dos juros, contrasta com quantidade de pessoas empregadas
BRASÍLIA - A indústria brasileira resistiu em abril à retração da economia do país, principalmente por causa das exportações, que se mantiveram em alta no período. A conclusão é do Boletim Indicadores Industriais, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O relatório confirma a já esperada desaceleração da atividade econômica doméstica, mas demonstrou o vigor da balança comercial do país, que obteve um superávit de US$ 3.876 bilhões em abril. As vendas reais da indústria recuaram 5,02% em abril em comparação com março. Na série com ajuste sazonal, as vendas do setor apresentam uma leve expansão de 0,13% - na comparação com abril de 2004, quando a base de comparação não era tão elevada, a alta foi de 2,92%.
Além da desaceleração da taxa de juros, os fatores que ocasionaram a desaceleração foram a valorização de 20% do dólar sobre o real neste mês e de 5% em abril. Ainda segundo o boletim, a retração na indústria só não ocorreu por conta das exportações, que em abril cresceram US$ 9,202 bilhões, gerando um superávit de US$ 3.876 bilhões.
- O cenário atual é complicado, é mais de indecisão do que de transição, mas é temporário. O investimento vai acontecer - afirmou o coordenador da Unidade de Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca.
A desaceleração da economia contrasta com a quantidade de pessoas empregadas. Em abril, a quantidade de pessoas ocupadas na indústria cresceu 1,01% em relação a março. No que diz respeito às horas trabalhadas, houve um incremento de 0,21%. Após ajuste sazonal, o número de horas trabalhadas teve expansão de 3,48%.
Em relação à abril de 2004, o emprego industrial cresceu, em média, 0,38% ao mês, metade da alta do ano passado, que foi de 0,74% ao mês. No entanto, o contingente de empregados teve elevação de 6,56% e as horas trabalhadas foram excedidas em 9,06% se comparadas a igual período do ano anterior.
De acordo com a unidade de política econômica da CNI, o deslocamento entre esses dois indicadores - vendas e horas trabalhadas - pode estar relacionado tanto a um erro de percepção do empresário sobre a demanda quanto ao fato de uma parcela crescente da produção estar sendo direcionada às exportações.
Em abril, os salários mantiveram-se estáveis em comparação com março. A massa de salários da indústria de transformação em abril expandiu-se 0,49% em relação a março. Em comparação com abril de 2004, a massa de salários ampliou-se em 8,68%. Apesar de expressiva, a expansão, segundo a CNI, está arrefecendo. Entre janeiro e abril, a alta chegou a 9,02% em relação a 2004.
Com Milena Khoury