Título: Varig é pressionada a devolver aviões
Autor: Marcelo Kischinhevsky
Fonte: Jornal do Brasil, 09/06/2005, Economia & Negócios, p. A21

A Varig tem prazo até meados desse mês para acertar o pagamento do leasing de 11 aeronaves à empresa americana International Lease Finance Corporation (ILFC), disse ontem um executivo ligado ao Conselho de Administração da companhia brasileira. Segundo ele, a direção da Varig já está buscando alternativas para resolver esse novo impasse que agrava a crise financeira da empresa e negocia uma saída com outras empresas de leasing. Segundo o executivo da Varig, a cobrança da ILFC surpreendeu a direção da companhia brasileira, que negociava com os americanos uma participação na capitalização da aérea.

- A idéia inicial já acertada entre a Varig e a ILFC era de que seus aviões entrariam no processo de capitalização da companhia e também seriam dados como garantia no acordo - explicou. - A ILFC tinha aceitado esse acordo e de repente voltou atrás, anunciando pela imprensa o pedido de devolução de aeronaves.

A frota da Varig, de 82 aeronaves, foi arrendada em contratos de leasing com a ILFC, a Ansett e a Gtax Corporation. O valor anual do leasing de aeronaves com a ILFC é da ordem de US$ 350 milhões. Segundo um membro do Conselho de Administração da Varig, a ILFC estaria pressionando a companhia brasileira, porque defende interesses de concorrentes no mercado brasileiro, nas quais também teria participação acionária.

- A empresa tem o direito de cobrar sua dívida, mas não cumpriu o acordo acertado inicialmente, uma atitude fora da lógica comercial.

O presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zilbersztajn, afirmou que o problema com a ILFC não emperrará o negócio. Na avaliação do executivo, este tipo de pressão feita pela empresa americana faz parte das negociações.

- Todas estas dívidas são conhecidas e estão sendo negociadas. É normal que este tipo de pressão apareça neste momento em que as conversas com a TAP estão caminhando bem.

O diretor da Bain Company, empresa de consultoria estratégica que participou da elaboração do plano de fusão da Varig/TAM e também foi responsável pelo projeto de reestruturação da TAM, André Castellini, disse que o mercado já previa que a Varig não pagasse as empresas de leasing, pois maio foi um mês muito difícil para a companhia.

- A situação da empresa ficou mais difícil com o fim do code share (compartilhamento de vôos), a guerra de tarifas e o aumento dos custos das companhias aéreas - afirma.

A segunda fase do plano de reestruturação da Varig, que prevê um ajuste de contas com o governo, embora já estivesse em negociações positivas, enfrenta agora outro obstáculo: a crise política. A primeira fase do processo já foi concluída com o acordo com a TAP. A última etapa do plano de reestruturação seria a criação da holding que capitalizaria a Varig.

Com Daniele Carvalho