Título: Bastos nega manobra
Autor: Sérgio Prado e Daniel Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 10/06/2005, País, p. A3

No terceiro dia do 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse ontem que a reforma política, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é pretexto para desviar as atenções da crise política por que passa o país. - Nós não estamos nem um pouco desviando a atenção da CPI com a reforma política. O Governo está apoiando a CPI neste momento. Nós apoiamos, de uma maneira geral, aquilo que o povo brasileiro quer, que são as investigações contra a corrupção. Tanto é assim que desde o primeiro dia Lula mandou que a Polícia Federal investigasse, e eu determinei a abertura de inquéritos policiais. Depois disso, as diretorias dos órgãos foram afastadas, e as investigações tiveram inicio - afirmou.

Márcio Thomaz Bastos defendeu a realização da reforma política para o fortalecimento da democracia e o combate à corrupção no país.

- Nenhuma democracia funciona bem sem partidos fortes e independentes, ou sem mecanismos que controlem a influência do poder econômico sobre o processo eleitoral.

Ontem, Lula determinou a criação de um grupo formado por três ministros: Aldo Rebelo (Coordenação Política), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Jacques Wagner (do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), que será coordenado por Thomaz Bastos. O grupo tem 45 dias para discutir o fortalecimento dos partidos, aperfeiçoamento das regras do sistema eleitoral e financiamento público de campanha.

Thomaz Bastos disse que pretende ouvir propostas e experiências de setores universitários, movimentos sociais diversos, setores produtivos e de representantes do governo e da oposição.

- Apresentaremos a partir dessas contribuições e das discussões no Congresso Nacional, uma proposta capaz de dar esse passo decisivo rumo a um sistema representativo mais autêntico e bem estruturado - disse .

Ao falar das diversas ações do governo brasileiro no combate à corrupção, Thomaz Bastos destacou o papel da Polícia Federal. Segundo ele, é uma instituição que trabalha ''como nunca contra o desvio de recursos públicos no país''.