Título: Molina foi detido em São Conrado
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 10/06/2005, País, p. A5
No Rio, a prisão do militar reformado Arlindo Gerardo Molina Gonçalves, suspeito de ser um dos responsáveis pela gravação em vídeo da suposta tentativa de extorsão nos Correios, foi feita por volta das 6h, em sua casa, em São Conrado. O deputado Roberto Jefferson (PTB) acusou Molina de tê-lo procurado para intermediar ''negócios'' de empresas privadas com os Correios e depois de ter informado a ele da existência da fita de vídeo com pagamento de propina na empresa.
Os policiais também cumpriram quatro mandados de busca e apreensão, na sede da empresa e em escritórios dela, no centro do Rio e na Tijuca, e no apartamento do dono da Assurê, Henrique Jorge Duarte Brandão, em Copacabana.
Ele foi levado, ontem à noite, junto com o material apreendido nos escritórios, para a sede da PF em Brasília. Molina teve a prisão temporária decretada por cinco dias, que poderão ser renovados por mais cinco, caso a Justiça entenda que ele pode, em liberdade, atrapalhar as investigações.
Na casa de Henrique Brandão, os investigadores federais apreenderam um computador portátil da filha do empresário e um computador dele próprio, além de fitas de vídeo, que serão periciados no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.
Os policiais chegaram à sede da Assurê, no Centro, às 10h30. A operação no local durou cinco horas. O delegado Márcio Cunha, da Delegacia de Combate a Crimes Financeiros (Delefin), da PF do Rio, e mais oito agentes, apreenderam três computadores, documentos e copiaram os discos rígidos de 102 computadores.
Édson Ribeiro, advogado criminalista de Henrique Brandão, afirmou que a operação na sede da Assurê foi ilegal. Declarou que não há nenhum inquérito contra seu cliente e que o empresário está à disposição da Justiça e da Polícia Federal para qualquer esclarecimento sobre a empresa.
Ribeiro revelou ainda que, desde que o caso do suposto favorecimento da empresa nos contratos com o IRB veio à tona, seu cliente nunca deixou o Brasil.