Título: PF prende autores de gravação de pedido propina nos Correios
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 10/06/2005, País, p. A5
O engenheiro João Carlos Mancuso Vilela e o advogado Joel Santos Filho revelaram ontem à Polícia Federal - após serem presos em Curitiba - que são os autores da gravação de fitas nas quais o então chefe de Contratações dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo propina. A PF prendeu ainda os empresários José Santos Fortuna Neves e Arlindo Gerardo Molina Gonçalves, suspeitos de serem os mandantes da gravação. - Eles confirmaram que gravaram - anunciou o delegado Luiz Flávio Zamprona, comemorando mais uma vitória da PF, que vem sendo usada pelo governo federal para mostrar empenho na investigação da avalanche de denúncias de corrupção.
Os procuradores Raquel Branquinho e José Alfredo Silva - que auxiliam nas investigações - acreditam que a prisão dos profissionais que fizeram a gravação abre um novo leque para levantar a corrupção nos Correios. João Carlos e Joel prestaram depoimentos em Curitiba, mas devem ser ouvidos hoje em Brasília. João Carlos seria dono da empresa JRV Informática e Joel representa a Mix Pesquisa e PB Consultoria Florestal, que estariam todas desativadas.
João Carlos e Joel foram registrados no sistema de indentificação dos Correios em Brasília, mas em datas que não coincidiam com os dias alegados por Marinho para as gravações. Os dois teriam se apresentado como Goldman e Vítor no encontro com Marinho. Ambos foram mais de uma vez aos Correios e não avisavam sobre o andar da visita.
- Se a motivação é política ou empresarial, tudo será apurado - disse o procurador José Alfredo.
Fortuna foi preso em Brasília e Arlindo Molina no Rio. Fortuna é ligado à Atrium Tecnologia e Serviços e à Fortuna Transportes e Serviços. Molina é ligado à Assurê Administração e Corretagem, à PVEN Participações e à Pactum Assessoria.
A PF realizou 20 operações de busca e apreensão nas empresas e nas residências dos quatro presos. Molina insistiu ontem que nada tem a ver com a gravação. Ele foi agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), até 1986, mas continuou mantendo contatos com agentes da atual Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Segundo uma fonte da PF, estão sendo investigadas as ''ligações'' de Fortuna e de Molina dentro da Agência Brasileira de Informação (Abin). A suspeita é que alguém dentro da própria Abin possa ter ajudado no flagrante de Maurício Marinho pedindo propina.