Título: Brasil tem 98 mil milionários
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Fonte: Jornal do Brasil, 10/06/2005, Economia & Negócios, p. A22

O clube dos endinheirados ganhou mais sócios em 2004. Segundo estudo da Merrill Lynch, os que têm patrimônio acima de US$ 1 milhão no Brasil cresceram 7,1% no ano passado, em relação a 2003, somando 98 mil pessoas. Em todo o mundo, o número de milionários chegou a 8,3 milhões em 2004, alta de 7,3% ou 600 mil novos abonados. Juntos, os integrantes desse grupo de ouro amealharam patrimônio de US$ 30,8 trilhões. O Brasil liderou o crescimento na América Latina, segundo o estudo. Na região, o número de ricos cresceu 6,3% atingindo 300 mil pessoas. Somado, o patrimônio deste time de abonados chegou a US$ 3,7 trilhões no continente no ano passado, alta de 7,9%. Ou seja, seis vezes o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas no país) do Brasil no ano passado, que foi de US$ 601 bilhões.

''O Brasil, que responde sozinho por um terço do PIB da América do Sul, continua a dominar o cenário econômico da região'', avalia o estudo, que aponta as razões deste avanço das fortunas. ''As políticas fiscal e monetária ajudaram na condução ao crescimento''.

Segundo a Merrill Lynch, havia no país 92 mil milionários no primeiro ano do governo Lula. Naquele ano, houve um incremento de 6% no número de ricos em relação a 2002.

A América do Norte lidera o ranking de milionários no mundo, com 2,7 milhões de endinheirados. No ano passado, foram incluídos nessa lista mais 226 mil de novos ricos somente nos Estados Unidos. O patrimônio destes abonados somou US$ 9,3 trilhões.

Na Europa, o número de endinheirados com mais de US$ 1 milhão chegou a 2,6 milhões em 2004 e o patrimônio deles, US$ 8,9 trilhões.

A pesquisa considera como patrimônio investimentos em ações, títulos, fundos e depósitos à vista, entre outros. A residência primária do milionário não é considerada para o cálculo. Investimentos não-declarados estão incluídos.

O maior crescimento no número de milionários ocorreu na África, segundo aponta o estudo. No continente, houve uma expansão de 13,7% no número de abonados.

No clube dos ricos também há distinções entre os sócios e, sobretudo, diferenças nos ganhos obtidos. O número de milionários com mais de US$ 30 milhões, os ultra-milionários, foi o que mais cresceu (8,9%) em 2004, somando 77 mil afortunados. Outros 744 mil são milionários-intermediários, com fortuna entre US$ 5 milhões e US$ 30 milhões. A expansão nesta faixa foi de 7,9% em 2004. A maioria se concentra no que se pode chamar de ''classe inferior dos ricos'' - os que têm entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões -, ao todo, 7,4 milhões de pessoas.

A América Latina é onde mais floresce a classe A dos ricos. Na região, os ultra-ricos somam 2,3% dos milionários. Nos EUA, a relação é de 1,2% e na Europa, 0,8%.