Título: Passaportes fantasmas
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 12/06/2005, País, p. A5

No Rio, um dos problemas mais graves de falta de estrutura e de abandono da Superintendência da Polícia Federal está no departamento de emissão de passaportes, na Avenida Venezuela, na Praça Mauá. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal, agente Cláudio Alencar de Souza, desde julho, por problemas técnicos, falta de material e carência de pessoal, não é lançado nenhum novo passaporte no sistema de informática, o que possibilita que uma pessoa retire mais de um documento, dando margem a fraudes.

O policial denuncia ainda que o setor tem uma defasagem de mais de 50% de funcionários, o que causa enormes filas a quem deseja tirar ou renovar o documento.

Segundo Cláudio, a superintendência está priorizando o atendimento ao contribuinte e desprezando um dos setores mais importantes na área de imigração, que é a segurança. De acordo com o vice-presidente do sindicato da categoria, falta de tudo: maquinário, papel, toner e até os próprios passaportes emitidos pela Casa da Moeda.

- O passaporte brasileiro é um dos mais procurados e valorizados no mercado negro, já que o brasileiro não tem cara. Os estrangeiros que mais procuram o documento são chineses, japoneses e coreanos - afirma.

De acordo com Cláudio Alencar, são apenas sete policiais para expedir cerca de 460 documentos ao dia, ou seja, emitir mais de 9.200 passaportes ao mês operando quatro máquinas. Sem contar as baixas médicas, oriunda de uma falta de acompanhamento das condições de trabalho e da falta de exames preventivos de saúde periódicos.

O sindicalista contou também que outro problema grave é o uso de pessoas contratadas no setor, os prestadores de serviço.

- O perigo é que estes funcionários não possuem vinculo com a função policial, não são do regime estatutarios, e acabam tendo acesso a informações federais sigilosas de uma das áreas mais importantes da superintendência, a imigração. (N.C.S.)