Título: Falta munição e até toner de impressora
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Fonte: Jornal do Brasil, 12/06/2005, País, p. A5

No Rio, novos policiais não têm pistolas 9mm para trabalhar.

No Rio, a Polícia Federal está agonizando. Essa é avaliação de lideranças dos agentes federais cariocas. Para o vice-presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento da Polícia Federal do Rio, agente Cláudio Alencar, falta de tudo no departamento considerado um dos mais importante do governo Lula, desde munição até toner para impressoras de computador. O diretor de comunicação do sindicato dos policiais, Fábio Domingos, afirma que a situação é muito séria e está desestimulando os profissionais.

Segundo Fábio, falta o básico para o policial atuar: pistolas 9mm. De acordo com ele, as turmas de agentes que tomaram posse recentemente receberam, no lugar das pistolas, revólveres calibre 38 para trabalhar em suas ações

O diretor de Comunicação diz ainda que os federais estão financiando as operações, já que o pagamento de diárias dee viagens (R$ 120) é depositado quase três meses após a sua realização.

- As grandes operações estão sendo pagas pelos servidores. Gastamos primeiro. Eles pagam depois - lamenta.

Cláudio Alencar vai mais longe. Ele revela que há dificuldade até mesmo para praticar tiros, mesmo sabendo que a vida dos policiais dependem da perícia com que manejam as armas em serviço.

- Para treinar tiro o policial tem de comprar munição do seu próprio bolso. Caso contrário, ele nem saberá se a arma funciona. Temos que pagar um alto preço para não morrermos em ação - disse.

O policial alertou que a situação é crítica no município de Campos, no norte fluminense, onde guardas municipais fazem o atendimento de balcão na delegacia da Polícia Federal por falta de agentes.

Outra denúncia dos federais refere-se às viagens ao interior do país. Ela são feita sem programa de prevenção de saúde. Os policiais são mandados para as fronteiras e regiões de mata sem vacinas da Febre Amarela, Malária ou Doença de Chagas. Segundo Fábio, ao retornar de uma viagem a Roraima, o delegado paulista Pedro Ivo Tavares, morreu vítima de doença tropical. (N.C.S.)