Título: Romero Jucá: ''Só deixo o cargo se Lula pedir''
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Fonte: Jornal do Brasil, 11/06/2005, País, p. A3

O ministro da Controladoria Geral da União, Waldir Pires, defendeu ontem que o governo não precisa esperar um ''julgamento final'' da Justiça para afastar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Previdência Social, Romero Jucá, investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No caso de Jucá, o STF apura suspeita de irregularidade em empréstimo concedido pelo Banco da Amazônia à Frangonorte, da qual Jucá foi sócio. Já Meirelles é investigado por suspeita de sonegação fiscal e evasão de divisas.

Ao final do 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, em Brasília, Waldir defendeu a cautela de Lula em não afastar os dois ministros logo após o surgimento das denúncias na imprensa. Mas disse que o governo não é moroso, tanto que aceitaria a idéia de um afastamento a partir do instante em que a denúncia fosse acolhida.

- Se porventura houver o acolhimento pelo tribunal de tomar a atitude de admitir e instaurar o processo de denúncia (o que já ocorreu), a partir daí, evidentemente, (o ministro) fica na condição imediata de afastamento, o que só dependeria do presidente.

Waldir reforçou que ''o governo adotou uma iniciativa cautelosa'':

- A denúncia só se efetiva quando se inicia o processo -afirmou o ministro.

Ontem, o ministro Romero Jucá disse, em Sorocaba, que só deixa o cargo se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedir. Afirmando que ''o presidente é dono de todos os cargos'', Jucá deixou claro que tem vontade de permanecer no ministério. Ele atribuiu a ''especulações políticas'' as informações de que Lula faria mudanças no governo, afastando ministros sob investigação para reafirmar a credibilidade, abalada pelas denúncias de corrupção.