Título: Policiais da Abin suspeitos de complô
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 14/06/2005, Brasil, p. A6
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) poderá afastar mais de 30 funcionários requisitados da Polícia Militar do Distrito Federal. Os policiais são suspeitos de envolvimento no complô interno com o objetivo de desestabilizar o governo Lula. A revisão de todas as requisições de PMs foi tema de reunião da diretoria da Abin ontem pela manhã. À tarde, o assunto foi discutido no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. A cúpula da Abin tem indícios de que uma parcela dos policiais requisitados deixou de trabalhar para o Estado e vem servindo a outros interesses.
- Se isso ficar comprovado, vamos afastar todos os PMs. Estamos revendo todas as requisições - reafirmou uma fonte da direção da Abin.
O órgão investiga vários policiais. Um dos principais envolvidos na filmagem da propina nos Correios é o cabo da PM do DF Jairo Martins, que trabalhou na Abin entre 1993 e 2001.
Segundo fontes da PF, Jairo trabalhou com o agente Edgar Langer Filho, que investigou oficialmente a corrupção nos Correios. Ainda segundo a fonte, Jairo é amigo de agentes e da Chefia de Operações da Abin.
O caso mais flagrante de complô contra o Planalto, para a Abin, é a fraude em relatórios sobre contribuição de R$ 6 milhões ao PT, feita pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que envolve o coronel Eduardo Adolfo Ferreira, da PM do DF. Segundo a Abin, os relatórios sobre a suposta doação das Farc foram ''montados'' com o uso indevido do símbolo da agência.
- O relatório das Farc foi montado para prejudicar o governo - diz esta fonte da Abin.
Não há mais dúvida para a Abin que uma grande parcela da polícia no Distrito Federal está engajada em trabalho político-partidário. Setores da PM de Brasília que servem à Abin, para a cúpula do órgão, estão na verdade agindo para o poder político local, com o suposto objetivo de atacar o governo Lula. A cúpula do órgão, por enquanto, não trabalha com os nomes de políticos da cidade que poderiam ter envolvimento neste complô.
Não ficou comprovada a participação do empresário José Santos Fortuna Neves, nas gravações dos correios. Fortuna é capitão reformado da PM de Minas Gerais e agente do extinto Serviço Nacional de Informações. Mas pelo que parece, é hábito comum dos ex-arapongas guardar relatórios da Abin. O advogado de Fortuna, Reginaldo Bacci, afirmou ontem que seu cliente prometeu a um jornal do Rio divulgar documentos mostrando o envolvimento da Abin com as gravações nos Correios.