Título: BNDES empresta menos que o previsto
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 14/06/2005, Economia & Negócios, p. A21

Só 25% do orçamento anual, de R$ 60 bi, foram desembolsados até maio. Mantega põe culpa nos juros

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedeu R$ 15,1 bilhões em financiamentos nos primeiros cinco meses do ano. Embora represente um aumento de 7% em relação a igual período de 2004, o montante corresponde a R$ 25% dos recursos disponíveis aos empresários para o ano de 2005, de R$ 60 bilhões. O presidente do banco, Guido Mantega, admitiu que o resultado ficou aquém das expectativas por conta da desaceleração da economia e que não deverá atingir a meta de empréstimos para o ano.

- Mas nosso objetivo não é chegar nos R$ 60 bilhões, e sim impedir que haja lacuna no financiamento. Não há um número mágico, o que importa é o papel que o banco está desempenhando - afirmou.

O presidente destacou os juros altos como inibidores do ritmo de tomada de empréstimos. O esfriamento na economia pode ser sentido pelo volume de investimentos pedido pelas cartas-consultas, que refletem a disposição do empresário. O total de recursos pleiteados chegou a R$ 35 bilhões, aumento de apenas 2% em relação aos cinco primeiros meses de 2004. Os enquadramentos, primeira fase de análise do BNDES, totalizaram R$ 34,4 bilhões em projetos, superando em 40% os R$ 24,5 bilhões acumulados entre janeiro e maio de 2004.

Apesar da freada verificada na produção em 2005, a indústria foi o setor que apresentou o maior crescimento nos desembolsos do BNDES.

Os desembolsos chegaram a R$ 7,4 bilhões, avanço de 23% em relação aos cinco primeiros meses de 2004.

Já a agropecuária, afetada por sérios problemas de estiagem na região Sul, tomou 30% menos recursos no mesmo período. Comércio e Serviços também tiveram queda nos desembolsos, de 15%.

Prejudicada pela suspensão dos investimentos com o fim das eleições, a área social teve um corte de 44% nos desembolsos em 2005.

Já a infra-estrutura teve expansão de 15% nas liberações, que alcançaram R$ 5,1 bilhões. Para Mantega, o resultado não foi melhor nesse segmento por conta da forte queda dos financiamentos concedidos às empresas de energia elétrica. As distribuidoras deixaram de tomar empréstimo, segundo ele, porque conseguiram renegociar dívidas com seus credores. Esse não é, contudo, o caso da Light, que vem tentando mais recursos.

Os desembolsos para as micro, pequenas e médias empresas somaram R$ 4,7 bilhões nos primeiros cinco meses de 2005, desempenho 8% superior ao de igual período de 2004.

As exportações, com aumento de 3% no total de desembolso, também não ajudaram muito o banco a cumprir o orçamento anual.

Apesar dos resultados do BNDES até maio, Mantega prevê a volta do fôlego dos investidores ainda em 2005.

- Há uma sinalização de aumento no nível das cartas-consulta, que vão se traduzir em novos investimentos ainda este ano - disse, ao referir-se à demanda por crédito de empresas nos primeiros dias de junho.