Título: Autópsia inocenta marido de Schiavo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/06/2005, Internacional, p. A8

LARGO, Estados Unidos - Terri Schiavo, a americana que morreu em março 13 dias após a retirada de sua sonda de alimentação, não tinha esperanças de recuperação. A autópsia revelou ainda que ela estava cega e que não foi vítima de violência física.

Segundo o legista Jon Thogmartin, do condado de Pinellas, o cérebro dela estava profundamente atrofiado e tinha menos da metade do peso de um cérebro humano saudável.

- Nenhum tratamento teria regenerado a maciça perda de neurônios - afirmou.

As conclusões do relatório inocentam Michael Schiavo, acusado pelos sogros Bob e Mary Schindler de agredir Terri, o que poderia ter sido a causa de seu colapso.

- Não foram notados traumas nos vários exames físicos ou radiografias - afirmou Thogmartin.

Ao longo da batalha judicial pela retirada dos aparelhos que a mantinham viva, Michael alegava que seu estado era irreversível. A família da paciente, por sua, afirmava que ela os reconhecia e que havia possibilidade de recuperação.

Um dos principais argumentos que os pais de Terri usavam era um vídeo em que ela aparentemente acompanhava com os olhos os movimentos de sua mãe, emitia alguns sons e sorria.

O estado de cegueira apontado pela autópsia, entretanto, mostra que isso era impossível. E os médicos afirmaram que as reações eram apenas respostas automáticas e não uma evidência de consciência.

O relatório esclareceu também que, mesmo recebendo comida por via oral, como pediram seus familiares, ela teria morrido sem a assistência da sonda alimentar.

- Michael Schiavo foi tão criticado ao longo desse caso que estou certo de que está aliviado em ouvir esses resultados - afirmou George Felos, advogado do marido de Terri.