Título: Reformas em jogo
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 16/06/2005, Internacional, p. A7

TEERÃ - A eleição de amanhã determinará como o Irã vai lidar com seu programa nuclear, que tantas controvérsias gera com o Ocidente, e se dá continuidade às reformas iniciadas pelo presidente Mohamed Khatami, que está deixando o cargo.

A campanha rompeu tabus no Estado Islâmico, com muitos dos oito candidatos prometendo retomar as conversações com Washington e alguns contratando garotas de patins para distribuir panfletos, com vistas a atrair os jovens - a maioria do eleitorado no país.

Pesquisas apontam que a principal disputa será entre o moderado Hashemi Rafsanjani, 70, político pragmático que planejou a troca de reféns por armas com os EUA, em 1980, e o reformista Mostafa Moin, 54, que prometeu combater abusos aos direitos humanos. Muito próximo, figura o conservador Mohammad Baqer Qalibaf, 43, ex-chefe de polícia que aparentemente desfruta o apoio do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Uma vitória de Moin não deve ser descartada, e um segundo-turno de Rafsanjani com Moin ou Qalibaf, provavelmente no dia 24, seria difícil de prever, dizem analistas.

Apesar da grande apatia registrada nas últimas eleições e esperada também neste pleito, muitos eleitores, como o arquiteto Maziar, de 36 anos, temem uma redução da limitada liberdade social que os iranianos conquistaram, depois de oito anos de governo de Khatami, e por isso votarão em Rafsanjani. Mas devem apoiar Moin, caso os dois disputem um segundo-turno.

- Não queremos voltar ao passado e ter um presidente que nos leve a confrontar o Ocidente. O mais importante é manter os linha-dura fora.

O pior cenário para os conservadores - ter Rafsanjani e Moin no segundo-turno - já começa a ser admitido pelos próprios linha-dura:

- A probabilidade é alta - disse Hossein Shariatmadari, influente editor do jornal conservador Kayhan.