Título: Correios: PF vai investigar contratos
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 16/06/2005, País, p. A6

BRASÍLIA - Identificado o mandante da gravação da fita sobre a propina na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) - o empresário Artur Wascheck Neto - a Polícia Federal inicia agora uma grande devassa em cerca de 600 contratos da empresa. A investigação começa por licitações envolvendo a empresa Novadata, de Mauro Dutra - amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pela Skymaster Airlines, que deu um ''prejuízo potencial'' de R 21 milhões aos Correios no contrato de transporte de cartas e malotes. As duas empresas serão investigadas porque foram citadas no depoimento do deputado Roberto Jefferson (RJ), acusadas de envolvimento em supostas práticas ilícitas nos Correios. Além disso, a Skymaster já foi alvo de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou o prejuízo para a ECT nas operações.

Além de identificar todos os responsáveis pela gravação e distribuição da fita em que o ex-chefe do Departamento de Contratações, Maurício Marinho, aparece embolsando propina, os agentes descobriram como funcionava a corrupção no órgão.

Em seu depoimento, Artur Wascheck revelou que sabia da cobertura que Marinho dava as empresas que forneciam produtos fora das especificações para os Correios.

- Marinho tentava de todas as formas pressionar outras diretorias para que aceitassem mercadorias fora das especificações - disse.

Os produtos abaixo das normas dos editais permitiram lucros absurdos aos empresários. Significa, por exemplo, que as empresas ganhavam uma concorrência com uma bolsa de couro legítimo e forneciam bolsas de material plástico, que eram recebidas pelos Correios, com a suposta conivência de Marinho. Um laboratório de analise da empresa já teria constatado a entrega de materiais de qualidade inferior.

A testemunha que ameaçara ''detonar'' Roberto Jefferson, o advogado Arlindo Molina, voltou atrás e não envolveu o deputado nos esquemas de corrupção. Para a PF, ficou comprovado até agora que toda a motivação da gravação da propina nos Correios foi uma disputa empresarial. Roberto Jefferson, segundo a PF, pode ter dito a verdade quando fala em tentativa de extorsão dos envolvidos com as gravações. Jefferson foi convidado ontem a depor na Federal.

Hoje, a PF vai ouvir pela manhã o empresário, capitão reformado da PM mineira e agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), José Santos Fortuna Neves. Ele foi citado no depoimento de Jefferson sobre a gravação nos Correios. Mas nada ficou comprovado até agora sobre sua participação na gravação e no suposto esquema de chantagem e extorsão do presidente nacional do PTB.