Título: Opep eleva produção de petróleo
Autor: Maher Chmaytelli e Stephen Voss
Fonte: Jornal do Brasil, 16/06/2005, Economia & Negócios, p. A20

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aceitou elevar suas cotas de produção em 1,8%, após reconhecer que os quatro aumentos realizados nos últimos 12 meses não foram suficientes para interromper a disparada do preço do petróleo, que permanece acima de US$ 50 o barril. A decisão, porém, foi inócua mais uma vez: o barril para entrega em julho fechou a US$ 55,57 em Nova York, alta de 1,04%, pressionado pelo risco de escassez do produto e de derivados no mercado americano.

Responsável por 40% da produção mundial, a Opep aumentará suas cotas diárias de produção em 500.000 barris, para um total de 28 milhões de barris/dia, disse o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi.

Os países-membros da Opep desejam reduzir os preços do petróleo para impedir uma maior desaceleração da economia mundial, o que prejudicaria a demanda pela commodity. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o crescimento econômico mundial vai desacelerar para 4,3% em 2005, comparativamente aos 5,1% de 2004, e o grupo dos oito países mais industrializados do mundo (G-8) classificou de ''preocupação significativa'' a alta dos combustíveis.

O receio de que a demanda por petróleo pode vir a superar a produção no final deste ano estendeu-se para o setor de refino, que está operando próximo da capacidade máxima.

A falta de capacidade suficiente das refinarias é um fator de alta de preços, disse o presidente da organização, xeque Ahmed Fahd al Ahmed al Sabah.

- Temos que chegar à raiz do problema: se as refinarias podem acomodar novos aumentos na produção de petróleo - afirmou al Sabah.

Nenhuma refinaria foi construída nos últimos 30 anos nos EUA - e na última década na Europa, devido à preocupação com o meio ambiente.

- A única forma de os preços baixarem para níveis inferiores à faixa de US$ 50 a US$ 55 o barril é uma desaceleração drástica na demanda por petróleo. Não há nenhuma nova fonte de abastecimento para entrar no mercado - alertou Julian Lee, analista do Centre for Global Energy Studies (Centro de Estudos Mundiais sobre Energia), empresa de consultoria sediada em Londres.

Os 10 países-membros que seguem cotas de produção, entre os 11 que compõem a Opep - o Iraque é o único que não adota as cotas - produziram no mês passado 28,1 milhões de barris/dia, segundo dados da Bloomberg, mais do que deveriam de acordo com o primeiro aumento das cotas.

Os estoques de gasolina nos EUA são considerados baixos pelos analistas para esta época do ano, devido à proximidade da temporada de verão nos EUA, quando o consumo de gasolina cresce muito, e também aos furacões no Golfo do México, que ameaçam a produção das refinarias da região.