Título: Previ muda foco dos investimentos
Autor: Lucia Rebouças
Fonte: Jornal do Brasil, 20/06/2005, Economia & Negócios, p. A17

COSTA DO SAUÍPE (BA) - A Previ, o maior fundo de pensão do país, com um patrimônio de R$ 70 bilhões, vai diversificar seus setores de investimento. O presidente do fundo, Sérgio Rosa, informou que a idéia é entrar em segmentos como medicina, biotecnologia, serviços e varejo. Atualmente, suas aplicações estão mais concentradas em áreas como siderurgia e mineração - a Previ tem 17% do capital da Vale do Rio Doce, por exemplo, e também em telefonia.

Também faz parte do plano de diversificação a entrada em projetos de private equity (aquisição de empresas ainda não listadas em bolsa e que precisam de investimentos para expansão) - para os quais destinará R$ 350 milhões e já está selecionando gestores - e em sociedades de propósito específico. É o caso do aporte de R$ 30 milhões feito na Companhia de Locação de Equipamentos Petrolíferos (investimento que será amortizado com recebíveis da Petrobras), da qual também participam outros quatro fundos (cada um com uma fatia de R$ 30 milhões).

Também os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (os FIDC, conhecidos como fundos de recebíveis) estão na mira do maior investidor do Brasil. Sérgio Rosa os considera um instrumento melhor por sua estrutura mais moderna (custo menor e risco ''quase nulo'') e que por isso devem ocupar espaços antes destinados à compra de debêntures. No primeiro caso, o papel emitido pela empresa garante liquidação sobre fontes de receitas, já no caso das debêntures, a companhia lança títulos de sua dívida.

- A Previ não tem entrado em operações de debêntures e está conversando com administradores para entrar em negócios de recebíveis - enfatizou.

No ano passado, as aplicações em renda variável da Previ ficaram com a maior parte do patrimônio - R$ 43,20 bilhões, o que representou 58,2% do total. A renda fixa ficou em segundo lugar, com R$ 21,15 bilhões (32,11% do total). O percentual aplicado em renda variável, no entanto, está acima do permitido pela regulamentação do setor, mas a Previ tem um acordo para, em 12 anos, atingir o percentual legal (49%). A rentabilidade obtida pelas aplicações no período superou sua meta atuarial - e a Previ fechou 2004 com um superávit de R$ 9,7 bilhões. O investimento mais rentável foi a renda variável, que bateu em 32,99%, no ano.

O dinheiro vai ser usado para proteger a Previ das variações dos ativos ao longo do tempo e do crescimento do passivo, com o aumento de pagamentos de aposentadorias.

Isso porque o fundo de pensão já tem mais aposentados e pensionistas do que participantes ativos (contribuintes). Atualmente, são 49 mil os contribuintes, que pagam benefícios a 60 mil aposentados e 18 mil pensionistas, o que representam um desembolso mensal de R$ 320 milhões.