Título: Congresso chantageia a ONU
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/06/2005, Internacional, p. A9
WASHINGTON - Apesar das tentativas de persuasão da ONU, o Congresso dos Estados Unidos aprovou ontem, por 221 votos contra 184, a redução da contribuição estatal às Nações Unidas, a não ser que o organismo empreenda reformas.
- Já temos suficientes concessões, resoluções, relatórios - afirmou o autor da lei, o republicano Henry Hyde. - É hora de defendermos a reforma.
O presidente George Bush se opõe à decisão dos congressistas.
Segundo a nova legislação - que será submetida ao crivo do Senado - metade do orçamento anual fixo da ONU (de US$ 1,3 bilhão) pode ficar comprometida, caso a organização não cumpra as demandas por mudança. O fracasso na reforma também pode levar os EUA a se recusarem a ampliar e participar de novas missões de paz - pelas quais atualmente contribui com 25% da verba.
- Aprovar esta lei é punir os Estados-membros, não o secretariado. Pior, é punir os países que precisam desesperadamente de ajuda - criticou a principal autoridade da ONU para missões de paz, Jean-Marie Guehenno.
O porta-voz do secretário-geral afirmou que também Kofi Annan ''não considera que esta seja a rota mais produtiva para mudanças nas Nações Unidas''. E acrescentou que Annan ''está profundamente comprometido com as reformas''.
Pouco antes da votação final, o Congresso americano rejeitou, por 216 votos contra 190, uma alternativa do líder do Comitê de Relações Internacionais da Casa, Tom Lantos. O texto também salientava a necessidade de reforma na ONU, mas deixava para a secretária de Estado, Condoleezza Rice, a incumbência de reter ou não os pagamentos de Washington às Nações Unidas.