Título: Saber valer viver dos animais
Autor: Sheila Moura
Fonte: Jornal do Brasil, 18/06/2005, Outras Opiniões, p. A15

Desmond Morris, em seu livro Contrato animal, leva-nos a pensar no rompimento do ser humano com tal contrato cuja base é a idéia de que cada espécie deve limitar seu crescimento populacional o suficiente para permitir que outras formas de vida coexistam com ela, ou seja, ''viver e deixar viver''. A capacidade dos animais de equilibrar suas espécies em harmonia com a natureza, deveria ser aprendida como regra para sobrevivência humana, posto que, o mundo globalizado nos traz a notícia incontestável de que nossos recursos naturais estão se extinguindo por culpa do antropocentrismo (o homem centro do universo) e especicismo (o homem como a melhor das espécies).

Algo mais imediato deveria ser pensado alem da implantação de uma política ambiental para ''salvar'' o mundo. A emissão de gases poluentes, decadência social, fim de recursos públicos, balas perdidas, professores espancados dentro de escolas e tudo mais que aflige os centros urbanos do país, são sinalizações de que crescemos rápido demais para um sistema público educacional lento demais. No mundo inteiro tais sinalizações são tão assustadoras como estas e cita-se a Alemanha, o terceiro país mais rico do mundo, que não tem emprego. A chamada ''distribuição de renda'' é coisa para os subjugados, ou não?

De que adianta um protocolo de recuperação do meio ambiente se ele se torna completamente inviável diante do crescimento descontrolado e irresponsável da espécie humana que destrói, velozmente, mares, ares, rios, florestas e fauna? Como deixar prevalecer ''achismos'', religiões e conceitos diante da única função do humano que é a de destruir, já que nem predador ele o é? Como abrir mão do direito de ouvir o coração do planeta em função do pensamento político/religioso que usa o chamado poder/Deus como forma de controle da massa humana?

Podemos afirmar, cientificamente, que não somos nativos do planeta Terra por não termos nenhuma função dentro dos ecossistemas existentes, tendo sido necessário tomar 98% dos gens dos macacos para nos ''implantarmos'' aqui. Ainda não sabemos como ''chegamos'' mas, pesquisadores de respeitáveis universidades e da NASA, definem o''humano'' como resultado da experimentação de seres desconhecidos, provavelmente os mesmos que detonaram o planeta Marte. Mas parece que ninguém leva isto muito a sério, preferindo o tal do ''gênesis'' a ter que encarar esta realidade. É o controle político/religioso que faz até a ONU e OMS sucumbirem!

Acreditamos que ainda podemos reverter a destruição do planeta. Teríamos, apenas, que equilibrar nossa espécie não fazendo novos indivíduos durante o tempo necessário para retornarmos aos 2 bilhões de pessoas que a Terra tem como sustentar com qualidade de vida. Somos 6, com projeções para sermos 9 bilhões de cabeças alienadas neste ano de 2005. Céus, será o caos! que qualidade de vida haverá daqui por diante? Deixaremos como herança um planeta sem água para beber, sem ar para respirar cujos sobreviventes se digladiarão por um pedaço de qualquer coisa comível ou bebível. Alguém duvida da realidade de um Mad Max quando um cineasta/visionário coloca nas telas o poder destrutivo humano?

É preciso sempre lembrar; que educar o chamado ''serumano'' leva anos e faze-lo, apenas 9 meses; que não alimenta-lo, adequadamente, até os 7 anos, o tornará um ser inabilitado para a vida toda; que a mater e paternidade responsável é urgente; que existem políticos e religiosos inescrupulosos que mentem, despudoradamente, diante de nossa competência de atuar e de julga-los. É vital que prevaleça o Contrato Animal evitando que o excesso de uma determinada espécie coloque em risco todo o equilíbrio dos ecossistemas naturais fazendo com que a vida aconteça para todos. Precisamos nos convencer que pior que a morte é o que morre dentro de nós enquanto estamos vivos.