Título: Marta como salvação
Autor: Wallace Nunes
Fonte: Jornal do Brasil, 18/06/2005, País, p. A2

O PT escolheu a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para barrar o que os lideres do partido chamam de ''tentativa de linchamento''. Na sexta-feira, uma dia antes da cúpula da legenda se reunir na capital paulista, Marta telefonou para o prefeito de Osasco, Emídio Pereira de Souza, e pediu que ele falasse com todos os líderes da Região Metropolitana para fazer uma união contra o que denominou de ''movimento de difamação''.

- Temos que nos mobilizar a partir de São Paulo, pois é aqui que eles querem nos desestruturar. Conto com a sua ajuda e a dos demais membros do PT na região - pediu a Emídio Pereira.

Na semana passada, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma denúncia afirmando que o ex-secretário municipal de Comunicação do governo Marta Suplicy, Valdemir Garreta, e o secretário geral do PT, Sílvio Pereira teriam feito uma oferta de R$ 4 milhões aos vereadores do PPS para que votassem conforme os interesses do PT na Câmara. Em entrevista ao mesmo jornal, o presidente do PPS no estado, deputado Arnaldo Jardim, negou o acordo.

Para a ex-prefeita, pré-candidata ao governo do Estado em 2006, a denúncia não procede. Marta afirma que está em curso uma ''tentativa de linchamento'' do PT no país.

A ex-prefeita disse estar preocupada com a possível instalação de um clima macarthista no Brasil. Referindo-se ao senador republicano Joseph McCarthy (1908-1957), que liderou um movimento nos Estados Unidos de caça aos comunistas após a Segunda Guerra Mundial.

O presidente do PT em São Paulo, Paulo Frateschi, disse que a legenda está se mobilizando contra os ''infortúnios'' das denúncias vazias.

- De repente o PT se tornou um partido igual aos outros? Não podemos deixar que isso aconteça, por isso saímos em busca do que há de melhor entre nos nossos quadros, na nossa legenda, que é a ética e a transparência - disse.