Título: Marinho não convenceu na PF
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 21/06/2005, País, p. A2
BRASÍLIA - Um personagem cínico e mentiroso. Este é o perfil que os delegados da Polícia Federal traçam do ex-chefe do Departamento de Contratações dos Correios, Maurício Marinho, que hoje abre uma série de depoimentos na CPI dos Correios, no Congresso Nacional. Desde que foi pego recebendo R$ 3 mil de propina na sede da estatal em Brasília, Marinho tentou de todas as formas justificar o injustificável. Primeiro, alegou que o dinheiro era antecipação de um trabalho futuro, para quando saísse dos Correios. Os advogados de Marinho alegavam que não havia corrupção sem a identificação dos corruptores. A PF instaurou o inquérito, identificou as pessoas que gravaram, chegou aos nomes dos corruptores e traçou todo um diagrama de investigação de desvios de recursos na Estatal, que agora começa a ser identificado com a ajuda da Controladoria-Geral da União (CGU).
Marinho também teria tentado retirar provas do inquérito, ao trocar o disco rígido de seu computador dois dias após a divulgação da fita onde ele pede propina. Na agenda de Marinho, segundo os investigadores, há recados do genro do deputado Roberto Jefferson, Marcos Vinícius Vasconcelos Ferreira. Na fita onde embolsa propina, o chefe do Departamento de Contratações revela que ele, o então diretor de Administração, Antônio Osório Menezes, e o assessor Fernando Godoy representam os interesses de Jefferson dentro dos Correios.
O próximo passo da PF é identificar os desvios em grandes contratos dos Correios. Ontem, o diretor-comercial da empresa Marluvas, Denilton José da Silva, prestou depoimento. Ao participar de uma concorrência para a venda de mais de 70 mil pares de tênis para os Correios, a Marluvas foi convidada por Maurício Marinho a fatiar a entrega dos produtos com outras três empresas.