O Estado de S. Paulo, n. 46629, 17/06/2021. Política, p. A8

Queiroz e bate-boca na sessão

Julia Affonso
Lauriberto Pompeu


Opositor ao governo Bolsonaro, o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), citou o “caso Queiroz” ao questionar, ontem, a relação de ex-governador do Rio Wilson Witzel (PSC) com o presidente da República. A menção revoltou o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-rj). “O que isso tem a ver com covid, na boa?”, interrompeu Flávio, dirigindo-se ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

Ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, Fabrício Queiroz foi o pivô da investigação sobre esquema de “rachadinha”. Renan mencionou um vídeo no qual Flávio dizia se arrepender de ter apoiado Witzel. “Onde eu ia, você ficava ligando para o Queiroz para saber onde eu estava, porque sabia que o Queiroz estava do meu lado, trabalhando. Um cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que acredita”, afirma ele na live.

Witzel negou interferência nas investigações. “O que a polícia fez ou deixou de fazer ela fez de forma independente”, declarou. Após a resposta, Flávio falou em “conchavo” entre Renan e Witzel. Mais cedo, o filho do presidente já havia acusado o relator de tratar o ex-governador com “carinho”. “Seu pai parece que não lhe deu educação”, rebateu Renan.

Protegido por uma decisão do STF, Witzel encerrou seu depoimento após bate-boca com Flávio e o senador Jorginho Mello (PL-SC). Com isso, a cúpula da CPI decidiu realizar uma sessão secreta com o ex-governador. Os requerimentos serão pautados amanhã. / J.A. e Lauriberto Pompeu