Título: Entre os juros altos e a inflação
Autor: Luciana Otoni
Fonte: Jornal do Brasil, 23/06/2005, Economia & Negócios, p. A19
BRASÍLIA - O governo se prepara para tomar hoje uma das principais decisões na área econômica e que determinará os rumos da taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses. O Conselho Monetário Nacional (CMN) - integrado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, Antonio Palocci e Paulo Bernardo, além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - decide se a meta de inflação a ser perseguida em 2006 e 2007 ficará em 4,5%, com dois pontos de margem. Porém, antes mesmo da decisão final, a escolha já causa polêmica. A manutenção da meta em 4,5% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - referência para a inflação - está longe de ser consensual. Líder do governo no Senado e importante interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aloizio Mercadante (PT/SP), disse ontem que a confirmação de uma meta inferior a 5% será um erro.
- Será uma decisão equivocada - afirmou.
O senador apontou o risco de maior pressão sobre o câmbio, lembrou as incertezas quanto ao preço internacional do petróleo e do aço e citou os preços indexados (energia, telefone, transporte urbano), cujos aumentos tornam mais difícil fazer a inflação convergir para o centro da meta. Ele avaliou que tanto em 2006 quanto em 2007 o Brasil não terá condições para chegar a um percentual inferior a 5%.
No início deste mês, entretanto, o ministro Palocci afastou a possibilidade de mudança na política monetária e cambial e reforçou que a meta de 4,5% para o próximo ano seria mantida. O mesmo foi repetido pelos demais integrantes do CMN.
O parâmetro para a inflação de 2006 foi definido no ano passado, quando em junho fixou-se a meta de 4,5% com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais. Com isso, pode-se atingir 6,5%. Para 2005, a meta original era 4,5%, porém em setembro do ano passado o BC fez um ajuste elevando o percentual para 5,1%. As dificuldades em perseguir o centro da meta ficaram evidentes nos últimos meses. Até maio, a inflação acumulada medida pelo IPCA está em 3,18%. Na mais recente pesquisa com analistas de mercado, fechada na última sexta-feira, a projeção de inflação é de 6,16% para 2005 e de 5% em 2006. Portanto, além da meta, mas dentro da margem.
No mercado, alguns economistas avaliam que a adoção de percentual inferior a 5% é uma decisão acertada, que reforça a determinação na estabilidade de preços. Entre esses economistas está o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo.
Em uma avaliação otimista, Amadeo disse que os sucessivos recuos da inflação nos últimos anos e a ausência de previsão de choques externos abrem espaço para que o governo persiga uma inflação inferior a 5%. Para isso, no entanto, será necessário um corte severo nos gastos do governo. As despesas do governo ajudam a aumentar as pressões de demanda, o que dá fôlego à inflação.
- Considerando um crescimento da economia de 3,5% em 2006, o governo precisará adotar duas medidas: não aumentar o salário mínimo em termos reais no próximo ano e congelar os gastos em custeio - recomendou.
O CMN está certo? ¿Será uma decisão equivocada¿ Aloizio Mercadante, Líder do governo no Senado
¿Considerando um crescimento da economia de 3,5% em 2006 (para chegar à meta), o governo precisará adotar duas medidas: não aumentar o salário mínimo em termos reais no próximo ano e congelar os gastos em custeio em termos reais¿ Edward Amadeo, Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda
[23/JUN/2005]
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